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Eles estão no ar

Por Tisa Moraes | Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

As novas tecnologias colocaram no ar um novo equipamento, de formato exótico e utilização versátil, que só tende a se popularizar. Inicialmente projetado para uso militar, o drone desempenha, hoje, funções civis e comerciais nas mais diversas áreas. Por conta do seu alcance, no entanto, ainda gera polêmica no que se refere a questões envolvendo privacidade.

Chamado também de Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) ou Veículo Aéreo Remotamente Pilotado (Varp), o drone – zangão ou zumbido, em inglês – é um tipo de aeronave que não depende de pilotos embarcados para ser guiado. Esses pequenos “aviões” são controlados a distância por meios eletrônicos e computacionais, sob supervisão humana ou até mesmo sem sua intervenção.

Em Bauru, há ao menos um equipamento deste tipo, de propriedade do técnico em eletrônica Marivaldo Campos Brito, que é vice-campeão mundial e tricampeão paulista e brasileiro de aeromodelismo.

Seu drone – uma aeronave de seis hélices que suporta até oito quilos e possui autonomia de 12 minutos de voo – custa cerca de R$ 28 mil, mas há modelos bem mais caros e mais baratos do que este.

“Além de sobrevoar áreas difíceis de serem acessadas por terra, o drone também consegue parar no ar, por meio de sua função satélite, que é boa para fazer fotos com maior precisão”, conta. Também há a possibilidade de determinar o trajeto de acordo com coordenadas pré-programadas, sem a necessidade da condução humana por controle remoto.

Por conta da sua versatilidade e da vantagem de ser mais barato que aeronaves tripuladas, o drone tende a transformar inúmeros serviços. Ao redor do mundo, os vants já são utilizados em inspeções de linhas de transmissão, de rodovias ou grandes obras, levantamento aéreo de terrenos para cartografia, geografia e topografia, monitoramento de lavouras, bem como serviços de filmagem e fotografia para engenharia, mineração, indústria cinematográfica e veículos de comunicação.


Polêmica

Também auxiliam nas atividades de patrulhamento urbano, costeiro, ambiental e de fronteiras, atividades de busca e resgate, entre outras. No Brasil, o uso militar do vant já foi iniciado, mas ainda não foi oficializado. Marivaldo acredita que se trata apenas de uma questão de tempo.

“A gama de possibilidades é muito grande. Nas inspeções de Fukushima, no Japão (onde foi registrado um acidente nuclear, em 2011), as imagens são transmitidas online para um computador, como se o operador estivesse a bordo. Mas ele fica a distância, em total segurança”, observa.

No entanto, dentro de suas múltiplas funções, o vant está no centro de uma polêmica envolvendo esquemas de espionagem entre governos e também sobre invasão de privacidade de cidadãos comuns. Os modelos mais modernos são dotados de câmeras poderosas, capazes de captar imagens a até 10 quilômetros de distância, sem que o alvo possa notar sua presença.

“Com o drone, os paparazzi têm condições de invadir condomínios residenciais para fazer fotos e imagens íntimas de celebridades e personalidades políticas. Mas é preciso cuidado, porque se trata de uma prática ilegal, que está sujeita a processos”, comenta.

Interessados em obter mais informações sobre o equipamento podem entrar em contato com Marivaldo Campos Brito pelo telefone (14) 99795-4168.


É um óvni?

O drone, quando em ação, provoca curiosidade nas pessoas justamente por ser uma novidade. Segundo o aeromodelista Marivaldo Campos Brito, o objeto, quando visto a distância, frequentemente é confundido com óvnis (objetos voadores não identificados).

“Isso ocorre principalmente à noite. O drone sobe, facilmente, a 200 metros de altura, sem fazer barulho. Com as luzes de LED acionadas em formato de círculo, fica mesmo parecendo um disco voador”, observa. São as crianças, no entanto, que demonstram maior entusiasmo ao ficarem diante do equipamento.

O apelo já se tornou tão grande que empresas fabricantes de brinquedo já disponibilizaram modelos exclusivamente voltados para a garotada. Os mais simples – que só conseguem voar com a ajuda da imaginação – podem ser encontrados por cerca de R$ 15,00.


Espionagem e artilharia

Os drones foram idealizados, no final do século passado, para fins militares. Inspirados nas bombas voadoras alemãs e nos inofensivos aeromodelos radiocontrolados, estas máquinas voadoras de última geração foram concebidas, projetadas e construídas para serem usadas em missões muito perigosas para serem executadas por seres humanos, nas áreas de espionagem e artilharia, com capacidade de disparar bombas e mísseis.

Em sua história recente, os Estados Unidos passaram a atacar, com o uso de drones, alvos suspeitos de terrorismo no Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália, além de monitorar outros países. A eficácia das missões é contestada por organizações de direitos humanos, que apontam um grande número de inocentes entre as vítimas e contestam a legalidade do recurso.

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou, em janeiro deste ano, uma investigação sobre as vítimas civis de disparos de drones e pretende identificar possíveis casos de “execuções extrajudiciais” de vítimas, muitas delas inocentes.

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