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A violência deve ser uma exceção!

Wellington Anselmo Martins
| Tempo de leitura: 4 min

É fundamental que cada pessoa ocupe o seu lugar na política. Cada cidadão ocupe a sua posição dentro da sociedade. Dentro do debate público. Dentro da luta social, que almeja sempre mais e mais justiça: justiça para todos! E quando se trata de formas de crítica social, dois exemplos são muito importantes de se lembrar. Pois esses exemplos servem como ótimas referências de que a regra, na luta social, é o movimento pacífico. E a violência, por sua vez, deve ser apenas uma exceção muita rara e motivada por situações extremas, principalmente. Analisemos esses dois exemplos.

1) Nelson Mandela: que lutou pacificamente contra o Apartheid e conseguiu grande êxito na África do Sul. Mas, mesmo com sua desobediência civil pacífica, em um determinado momento de sua trajetória, quando ele (e seu grupo) quase foi assassinado, Mandela não teve dúvida para se defender: nesse momento extremo, ele tomou uma atitude extrema! Criou um grupo popular armado chamado "Lança da Nação". Esse grupo durou pouco tempo com Mandela, pois não era nenhum tipo de movimento que objetivasse uma guerra civil na África do Sul ou almejasse algum tipo de revolução ou golpe de Estado. Não! A proposta da Lança da Nação era apenas a defesa de pessoas comuns naquele momento em que milhares de assassinatos estavam acontecendo no país inteiro. Tanto foi apenas defesa (e não ataque) que Mandela depois veio a receber o prêmio Nobel da Paz por sua postura política na luta e vitória contra o Apartheid. Ou seja, na maior parte de sua vida Mandela foi um pacifista e, num momento extremo muito específico, não hesitou de se defender violentamente. Mandela foi um líder muito equilibrado!

2) Jesus Cristo: este exemplo é mais de autoridade moral que de luta política (no sentido contemporâneo). Jesus é o grande ícone histórico da defesa da humildade, amor e perdão. Ele é referência de busca da paz para bilhões de pessoas. Mas, mesmo ele, em meio a toda a sua nítida consciência moral nas pregações, num determinado momento fez uso da violência como forma de crítica. Importa salientar que a violência era uma linguagem comum e institucional na época e região de Jesus (não à toa ele, depois, foi assassinado em praça pública com requintes de crueldade). O momento em que Jesus fez uso de violência explícita está narrado em todos os quatro Evangelhos. Aconteceu que ao chegar ao Templo para oração, Jesus viu muitos mercadores comercializando dentro do Templo. Disse que se tratava de ladrões e, por isso, fez um chicote com cordas e expulsou a todos do Templo, violentamente. Na frente de todos os fieis, Jesus gritou, virou mesas, jogou a dinheiro todo pelo chão e, ao final, usou tudo que tinha feito para pregar em favor do "zelo" que se deve ter pelo "Templo" (que é tanto a igreja de pedra quanto o corpo dos seres humanos). Esse ato não manchou a biografia de Jesus como um grande defensor da paz, pois foi um ato isolado! Foi uma exceção! Ou seja, na maior parte de sua vida, Jesus foi um pacifista e, num momento muito específico, não hesitou de usar da violência como forma de crítica. Jesus foi um líder muito equilibrado!

Tanto o exemplo de Mandela quanto o de Jesus reflete muito bem o que é importante defender: a ordem social, a paz e o debate racional devem ser a constante na luta social e política! Entretanto, se o povo estiver sendo assassinado diretamente, como no Apartheid de Mandela, com certeza o povo deve se defender, sim. Ou então, se for um caso isolado, uma vez na vida como Jesus fez, e para salientar uma lição social, o ato violento também deve ser levado em consideração como tática muito excepcional (e jamais como regra). Enfim, cabe a cada cidadão ocupar o seu lugar nessa luta por uma sociedade melhor, por uma política mais justa. E importa salientar que essa luta tem por regra o debate de ideias, a reflexão e a argumentação. Já a violência, por sua vez, é instrumento de raras exceções, de momentos muitos extremos. O nosso Brasil atual precisa muito mais de pessoas com boas ideias na cabeça que pessoas com pedras nas mãos!

O autor, Wellington Anselmo Martins, professor, mestrando em Filosofia, graduado em Filosofia, estudante de Jornalismo / www.cafe-com-politica.blogspot.com

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