Reprodução/Renan Casal |
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Carlos Eduardo foi encontrado morto em uma piscina de águas termais de um clube em Piratininga |
Duas famílias bauruenses e um mesmo drama. Em uma tarde ensolarada e com poucas horas de diferença, duas mortes por afogamento foram registradas, anteontem, na região.
Enquanto os termômetros do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) marcavam 30°C na tarde de domingo, em Piratininga, a família do pequeno Carlos Daniel dos Santos Amarante, de 5 anos, buscava respostas para a tragédia ocorrida por volta das 17h15 em uma das piscinas de águas termais do clube Thermas de Piratininga.
Na mesma tarde, em Bauru, os pais de Gabriel Teixeira da Silva, de 16 anos, morador do bairro Nova Esperança, ligavam desesperadamente no celular do filho em busca de informações sobre seu paradeiro, até descobrirem, por volta das 16h40, que o corpo do adolescente era procurado pelo Corpo de Bombeiros no fundo do rio Tietê, em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) (leia mais abaixo).
Piratininga
O corpo de Carlos Daniel dos Santos Amarante foi encontrado no fundo de uma piscina de água quente por um sócio do clube, por volta das 17h30. Segundo o padrasto do garoto, Rodrigo de Souza Pires, 28 anos, o menino, que frequentava o clube pela primeira vez, teria passado o dia na companhia dele, da mãe, Ana Lúcia Marques dos Santos, 36 anos, das duas irmãs de 14 e 17 anos e do genro.
“Ele ficou todo o tempo brincando na areia do lago e, depois, acabou indo para a piscina com as irmãs. Eu e a mãe dele fomos para o vestiário e ficamos sentados conversando em um banco. Logo depois, as meninas nos ligaram e disseram o que havia acontecido. Pulei as catracas e corri até lá, mas ele já tinha sido levado. Como não temos carro, pegamos carona até o hospital”, conta o padrasto sobre os minutos de desespero da família.
O garoto não sabia nadar e, segundo Rodrigo, tinha medo e nem costumava chegar perto de piscinas fundas.
“Ele estava brincando com as irmãs no raso, mas ele se afastou e ninguém percebeu. Elas acharam que ele tinha voltado para a piscina rasa com outras crianças. Só foram ver o que tinha acontecido quando viram o movimento”, narra o padrasto do garoto. “Não sei se ele foi empurrado ou se caiu, mas acredito que ele tenha ficado mais de 15 minutos embaixo da água”, pontua.
Socorro
Algumas testemunhas que estavam no local conversaram com a reportagem ontem e detalharam os momentos em que o garoto era reanimado na beira da piscina.
“Alguns seguranças tentaram reanimá-lo, mas ele babava uma espuma branca. Todos ficaram desesperados. Eu mesma acabei indo para o hospital acompanhar”, conta uma dona de casa de 30 anos que estava no local no momento e pediu para não ser identificada.
“Eles tiraram o menino por cima de uma grade e o levaram para o hospital no carro de uma pessoa que estava saindo. Em todo esse tempo, não vi nenhum funcionário do clube lá”, reclama uma manicure de 40 anos, que também pediu para ter a identidade preservada.
A criança foi atendida na Santa Casa de Piratininga. O óbito foi constatado às 18h.
A família é natural do Ceará e mora, atualmente, no Jardim Bela Vista, em Bauru.
A mãe do garoto trabalha como cozinheira em um supermercado de Bauru e estava inconsolável no velório do filho. O corpo da criança foi enterrado no final da tarde de ontem no Memorial Bauru.
Posicionamento
Sobre a ocorrência registrada na tarde do último domingo, o diretor do Thermas de Piratininga, Luiz Carlos Fernandes Ferreira, lamentou a morte da criança e disse que o clube tem dado todo o apoio à família.
“Foi uma fatalidade. As piscinas tem um beiral de 20 centímetros de profundide exatamente para evitar acidentes. Aquela piscina tem 1,20 metro. Naquele momento, havia três monitores de segurança lá na área, que auxiliaram nos primeiros socorros. Temos ambulância, mas o menino foi levado por outro carro que já estava ligado. Os funcionários do clube acompanharam tudo e eu também fiquei no hospital com a família”, afirmou.
Quanto ao fato do garoto não ter sido visto antes no fundo da piscina pelos monitores, o diretor informou que, por ser escura, a água pode ter dificultado a visualização. A piscina em questão também possui uma espécie de fonte que jorra água ao centro. “É uma característica da nossa água, em função de ser medicinal. Quando tem muita gente na piscina ela fica escura”, acrescenta o diretor.
Inquérito
O caso foi remetido à Polícia Civil de Piratininga. O delegado titular da cidade, Marcelo Alves Firmino, informou que um inquérito seria instaurado ainda ontem para apurar o ocorrido.
“O local foi prejudicado, por isso não foi feita perícia. Tanto a mãe quanto o clube deverão prestar esclarecimentos e podem responder criminalmente. Acreditamos que há responsabilidade concorrente neste caso, mas tudo será investigado”, aponta o delegado.
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Reprodução |
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Gabriel teria ido para o rio em Pederneiras sem o consentimento dos pais |
Jovem encontrado no Tietê não sabia nadar, afirma tia
Na tarde deste domingo, um adolescente de 16 anos foi encontrado morto pelo Corpo de Bombeiros no rio Tietê, em Pederneiras. Gabriel Teixeira Silva, que morava no bairro Nova Esperança em Bauru, teria ido para o local, sem avisar os pais, na companhia de alguns amigos, após sair de um churrasco de despedida de um colega de trabalho em Bauru.
O menino, entretanto, não sabia nadar, segundo familiares. “Ele dormiu na casa de um colega no sábado à noite e não voltou mais. Não avisou ninguém que iria para o rio em Pederneiras. O pai começou a desconfiar (por conta) do horário e a ligar para ele por volta das 16h, mas ninguém atendia. Depois de 40 minutos, um bombeiro atendeu a ligação e disse que estavam à procura dele no rio”, conta Elizabeth Alves Teixeira, 46 anos, tia do rapaz.
Segundo ela, o corpo de Gabriel foi encontrado por volta das 19h a uma distância de aproximadamente cinco metros da margem e ao fundo do Tietê.
“Ninguém sabe explicar o que aconteceu, ele não sabia nadar. Uma moça disse que viu ele batendo os braços, mas achou que era brincadeira. Vamos esperar o laudo do IML para saber o que de fato aconteceu e se ele havia ingerido bebidas alcoólicas. Afinal, ele não era de beber”, acrescenta a tia.
Gabriel é descrito por familiares e amigos como um garoto trabalhador, alegre, tranquilo e que gostava de passar horas no computador. “Ele também adorava cantar e imitar as pessoas. Vai fazer falta para todos nós”, comenta a estudante Gabriela Campos, que prestava homenagens ao colega, junto a outros estudantes, no velório ontem.
O jovem cursava o 2º ano do ensino médio na Escola Estadual Irmã Arminda Sbríssia, trabalhava em um atacadão de Bauru e fazia curso de gestão de tecnologias no Senac.
Além dos pais, Cristiane Alves Teixeira da Silva, 38 anos, e Erivaldo Peri da Silva, 44 anos, ele deixa quatro irmãos, todos mais novos.
O corpo de Gabriel foi enterrado no Cemitério da Saudade no final da tarde de ontem.
Investigação
Durante o velório, a família chegou a cogitar a possibilidade de Gabriel ter sofrido um mal súbito antes de se afogar. A hipótese, segundo o delegado de polícia de Pederneiras, Eduardo Herrera, só poderá ser verificada por meio do laudo necroscópico, que deve ser divulgado em cerca de 15 dias pelo Instituto Médico Legal (IML).
“A informação é de que ele não sabia nadar e de que não ingeriu bebidas alcoólicas ou drogas. Mas vamos aguardar os resultados”, destaca. De acordo com o delegado, o exame toxicológico também foi realizado.

