Também smartphones foram alvo da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), revelou ontem a revista alemã “Der Spiegel” em matéria coproduzida por Laura Poitras, jornalista que teve acesso a documentos secretos vazados pelo ex-técnico Edward Snowden.
Segundo a publicação, a NSA organizou forças-tarefas que destrincharam os sistemas operacionais iOS (da Apple), Android (Google) e Blackberry, tirando vantagem da despreocupação dos usuários em confiar, em um único dispositivo, dezenas de informações pessoais, como contatos, geolocalização e interesses.
Nos documentos obtidos, a NSA afirma que a espionagem de smartphones pode ser feita a partir do computador com o qual o aparelho está sincronizado, explorando arquivos de backup.
No entanto, segundo a “Der Spiegel”, não há indícios de que tenha ocorrido espionagem de larga escala sobre usuários de smartphones.
Ainda assim, diz a revista, “os documentos não deixam dúvida de que, caso o serviço de inteligência defina um smartphone como alvo, será encontrada uma forma de ter acesso às suas informações”.
Em apresentação interna, a NSA exemplificou a capacidade de espionagem de smartphones mostrando imagens obtidas de aparelhos “hackeados”, inclusive fotografias do filho de um ex-secretário de Defesa, cuja identidade não foi revelada pela revista.
Facebook quer divulgar mais dados sobre pedidos do governo
O Facebook anunciou ontem que solicitará ao governo dos EUA permissão para divulgar mais informações em relação a ordens que recebe para fornecer dados de usuários. Com a medida, a rede social se junta a empresas como a Microsoft, que em julho fez o mesmo pedido ao Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira dos EUA (Fisc, na sigla em inglês).
“Apesar de termos recebido a permissão de divulgar uma aproximação do número total de pedidos que recebemos e o número de usuários associados a esses pedidos, não fomos autorizados a especificar nem sequer aproximadamente quantas dessas ordens podem ser relacionadas à segurança nacional, nem tivemos permissão para fornecer informações identificando o número desses pedidos que buscam o conteúdo das contas dos usuários”, escreveu Colin Stretch, do conselho geral do Facebook, em comunicado divulgado pela rede social.