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A carência de viadutos em Bauru

Archimedes A. Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

A cidade de Bauru nasceu na região baixa da rua Araújo Leite e ao longo dos seus 117 foi sobrepondo, inicialmente, as barreiras naturais - os rios - e, posteriormente, precisou suplantar as barreiras construídas pelo homem: ferrovias e rodovias. No caso da Capital da Terra Branca, essas barreiras são muitas e impondo muito obstáculos.

Hoje, a rodovia Marechal Rondon corta a zona urbana ao meio. As rodovias Cmte. João Ribeiro de Barros e Cezário José Castilho, embora entrecortem áreas mais periféricas, já proporcionam dificuldades de acessibilidade de um bairro a outro. Os rios, rodovias e ferrovias atuam como segregadores do espaço urbano, causando o chamado efeito barreira, com a consequente quebra de vizinhança. Para mitigar esses problemas, são construídos viadutos e pontes.

No entanto, os principais viadutos existentes, o Nuno de Assis, Mauá, Eufrásio de Toledo, JK, João Simonetti, 23 de Maio, da Rodrigues Alves sobre a Rondon, são insuficientes. Eles foram construídos até o início da década de 1980. De lá para cá, nenhum outro viaduto importante foi construído.

A cidade tem viadutos a menos do que precisaria. A falta dessas passagens em desnível ajuda a tornar o trânsito mais caótico e inseguro, particularmente nos horários de pico.

No entanto, nos últimos tempos os bauruenses têm convivido com duas "novas" obras. Uma iniciada, em 1993, o viaduto sobre os trilhos da ferrovia, uma obra desastrada e não prioritária, que já consumiu milhões de reais, se arrasta por 20 anos e que não vai ter papel significativo na melhoria do trânsito urbano.

A outra, anunciada recentemente, o viaduto também sobre os trilhos da ferrovia, eliminaria a transposição em nível da Avenida Com. José da Silva Martha. Este sim, necessário, não somente sob o ponto de vista da operacionalidade do trânsito, mas, principalmente, pela segurança que virá a conferir àquela região. O JC noticiou (30/8/2013) que o Ministério dos Transportes autorizou a abertura de licitação para a construção de desse viaduto, além de outro na região do Distrito Industrial 1.

Espera-se que esta notícia realmente se concretize. No entanto, outros viadutos seriam muito bem-vindos, como por exemplo sobre a Mal. Rondon, facilitando o acesso à região do Bauru Shopping e Walmart, e outro dando continuidade na Avenida Cruzeiro do Sul.

A cidade se expande e se desenvolve e precisa que o seu sistema viário principal acompanhe o aumento crescente da população e da frota de veículos. Não se pode ficar assistindo que deficiências crônicas de infraestrutura sejam perpetuadas. O planejamento urbano e ações de melhorias efetivas são necessários e são um direito do cidadão que paga seus impostos.

Neste sentido, a Assenag - Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru - tem se posicionado de maneira contundente em relação aos problemas urbanos. Mais que isso, tem se colocado à disposição para assessorar a administração municipal sempre que for solicitada.

O autor, Archimedes A. Raia Jr., é engenheiro, doutor em Engenharia de Transportes, professor associado da UFSCar e diretor de Engenharia da Assenag

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