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O retorno de flores, frutos e animais

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Muricis, pequis, pimentas-de-macaco, ipês-amarelos, paus-de-tucano, sucupiras-pretas, maracujás-do-cerrado, gravatás-do-cerrado e cipós-de-são-joão são apenas algumas das inúmeras espécies vegetais nativas do cerrado que podem voltar a florir no campo experimental da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Além das cores e belas formas de suas flores e frutos, elas são importantes para atrair aves e insetos e, assim, promover a polinização e dispersão de sementes em outras áreas.

Segundo o professor Osmar Cavassan, o cerrado conta com mais de 10 mil espécies vegetais características, sendo que no projeto experimental desenvolvido por ele, ao menos 30 já foram catalogadas. “Quando a diversidade é grande, sempre terá alguma espécie florescendo ao longo de todo o ano. E flor é uma oferta de alimento para os animais. Ou seja, eles são atraídos por elas e, também, pelos frutos, o que é importante para a restauração e manutenção do cerrado”, comenta.

O ambientalista Rodrigo Agostinho, prefeito de Bauru, explica que, em uma área degradada, a recomposição da mata ocorre por etapas, num processo denominado sucessão ecológica. Primeiramente, nascem as plantas pioneiras, também conhecidas como primárias, que possuem porte médio e alto, crescimento rápido, resistência ao sol e tempo de vida curto, entre 6 a 15 anos.

São elas as responsáveis por formar a sombra que servirá como proteção ao crescimento das plantas secundárias. Por último, aparecem as chamadas “clímax”, que são arvores de grande porte e longevidade, que dominarão a área, reduzindo as pioneiras a um percentual muito menor.


‘Diversidade empobrecida preocupa’, afirma prefeito

O processo de “empobrecimento da diversidade” da flora e fauna do cerrado, ao longo dos anos, se mostra como um fenômeno preocupante para o prefeito – e ambientalista – Rodrigo Agostinho. O desaparecimento de alguns predadores na nossa região – como a onça pintada, anta, cachorros-do-mato e jaguatiricas, por exemplo – desencadeia o desequilíbrio ecológico, com proliferação de algumas espécies, tais como saguis, gambás e quatis.

São superpopulações que passam a demandar maior volume de alimento, o que também pode prejudicar a conservação de algumas espécies.

“Há, ainda, o agravante de muitas espécies ameaçadas estarem confinadas em pequenos fragmentos de cerrado, o que dificulta sua reprodução e consequente sobrevivência”, completa.


Invasor, sagui revela desequilíbrio

Ainda que considerado “fofinho” pela maioria das pessoas, os saguis-de-tufo-branco e saguis-de tufo-preto - facilmente vistos até na zona urbana - são animais exóticos invasores, não nativos do cerrado.

Com elevada população na região, eles são uma ameaça para a conservação das aves, conforme destaca o ambientalista e prefeito Rodrigo Agostinho.

“Eles vão até os ninhos para comer os ovos. Enquanto algumas espécies dominam, outras estão desaparecendo por completo”, frisa. Por este motivo, como a ocupação urbana está invadindo cada vez mais o espaço natural, a aparição de animais que se proliferaram – como quatis e gambás, além do próprio sagui – será cada vez mais comum.

“Com a escassez de alimento no cerrado, eles vão para a área urbana procurar comida, até mesmo no lixo doméstico”, comenta Rodrigo. Associadas às espécies invasoras, as queimadas e o uso de agrotóxicos na agricultura aceleram ainda o ritmo de extinção dos animais. Entre os que já desapareceram ou se tornaram bastante raros no cerrado bauruense, o prefeito cita o mico-leão-preto, o bugio, urubu-rei, sapinho-do-cerrado, alguns tipos de cuícas e pássaros que foram capturados de maneira predatória para criação humana.

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