Polícia

PM apreende dinheiro com irmãos, que denunciam abuso de autoridade

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Uma jovem de 23 anos procurou a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, na noite desta terça-feira (10), para registrar um boletim de ocorrência (BO) por abuso de autoridade. Segundo a vítima, ela e o irmão foram abordados por policiais militares, que apreenderam R$ 1.990,00 em dinheiro, cuja quantia seria usada na compra de uma moto.

Segundo o BO registrado pelos PMs, o montante foi confiscado porque o casal não teria apresentado documento para comprovar a procedência do dinheiro. Os policiais militares alegaram no boletim de ocorrência (BO) que o rapaz tinha cinco passagens pelo antigo e já extinto Núcleo de Atendimento Integrado (NAI), por tráfico de drogas, quando era menor. O episódio ocorreu por volta das 18h de ontem, na quadra 29 da avenida Rodrigues Alves.

Após serem parados, os irmãos foram revistados pela polícia, que localizou R$ 1.734,66 com o rapaz, de 19 anos. Questionado sobre o dinheiro, ele e a irmã, de 23 anos, alegaram que a quantia estaria destinada à compra de uma motocicleta.

Ela ainda explicou que teria sacado R$ 1.500,00 de sua conta corrente, em uma agência bancária do Jardim Redentor, e entregue a quantia ao irmão, que juntou com mais R$ 490,00 que já possuía.

Para provar a afirmação, a jovem teria mostrado, em seu aparelho celular, os dados referentes ao saque que havia efetuado de sua conta, mas um dos PMs exigiu um documento impresso.

Ainda de acordo com boletim, enquanto ela buscava o extrato, o irmão teria sido levado à delegacia, onde o dinheiro foi apreendido. As vítimas consideraram a atitude como abuso de autoridade e decidiram registrar o caso.

Em contato com o Cartório Central, localizado no prédio da CPJ, o JCNet apurou que, até as 18h, o dinheiro apreendido pela PM ainda não havia sido liberado aos irmãos.

Segundo o delegado de polícia coordenador, Roberval Fabbro, a localização de quantias expressivas de dinheiro sem comprovação de origem pode determinar a sua apreensão. “O fato em concreto deve ser apreciado e analisado pelo delegado de polícia, como no presente caso. Causa estranheza a divergência de versões apresentadas pelos milicianos e pelos familiares do rapaz que afirmam lhes haver exibido comprovação da origem no local da abordagem. Se isso de fato ocorreu e foi omitido do delegado de Polícia por ocasião da elaboração do BO de apreensão, é fato que deve ser devidamente apurado”, diz.

A liberação do dinheiro ficará sob análise do delegado de polícia responsável pela condução da investigação, no caso José Dorneles Costa, a quem as ocorrências foram distribuídas.

A reportagem tentou contato com a assessoria da Polícia Militar (PM), em Bauru, mas o profissional responsável por responder ao caso só poderia se pronunciar nesta quinta-feira (12).

 

 

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