A História do Brasil caminhou sobre trilhos, ativa em diferentes sentidos, puxada por locomotiva elétrica, a óleo ou carvão, conduzindo o progresso para extensas regiões inóspitas de nosso sertão.
Exatamente à época, o País enfrentando problemas em seu sistema de telefonia, a ferrovia houve por bem intensificar a formação de seus profissionais na área de telegrafia.
Residindo ao longo da malha ferroviária, servidor vivia relativamente bem com suas provisões essenciais disponíveis em armazém.
Vagão cooperativa ligado a comboio de "cargas especiais" com absoluta regularidade chegava todo início de mês, sempre com frete livre e despachos em CT-3. No Natal havia clima de alegria redobrada quando o trem de passageiros, a tanger plangente sino, anunciava entrada no início da esplanada.
Sempre à tardinha, no Posto Telegráfico, encravado em meio à densa floresta, com animais em ruidosa festa, conforme era de costume, o ferroviário se recolhia, para ouvir em seu rádio de pilhas acordes da Ave Maria.
Wanderley Brosco - chefe de estação CPTM- aposentado