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Em entrevista, Assad disse que decisão por ceder controle de armas não é por medo |
Os Estados Unidos e a Rússia iniciaram ontem uma importante discussão sobre a proposta russa para que a Síria entregue seu arsenal químico e seja poupada de uma ação militar norte-americana. No mesmo dia, o governo sírio disse ter aderido de forma plena à convenção global contra armas químicas.
Apesar do aparente avanço dos últimos dias na frente diplomática, o secretário norte-americano de Estado, John Kerry, disse que a opção militar não foi descartada para punir o governo sírio pelo uso de armas químicas contra civis.
“Isto não é um jogo”, disse Kerry a jornalistas ao lado do chanceler russo, Sergei Lavrov, após o início da discussão em Genebra, na Suíça.
A proposta russa já levou o governo dos EUA a uma pausa nos seus planos para atacar a Síria, que nega ter usado armas químicas contra seus civis em um ataque ocorrido em 21 de agosto nos subúrbios de Damasco, matando mais de 1.400 pessoas.
ONU
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou ter recebido ontem um documento da Síria sobre sua adesão à convenção global contra armas químicas, em vigor desde 1997. Assad havia prometido fazer isso como parte do acordo para evitar um ataque norte-americano.
A Síria era um dos únicos sete países que não aderiram à convenção que proíbe a fabricação, posse e transferência de armas químicas. Os outros seis países são Egito, Israel, Coreia do Norte, Angola, Sudão do Sul e Mianmar.
Os Estados Unidos imediatamente alertaram a Síria para que não adote uma tática de protelação a fim de evitar uma ação militar. Nesta semana, o presidente sírio, Bashar al-Assad, disse a uma TV russa que só abandonaria seu arsenal nuclear quando os EUA parassem de fazer ameaças.
Kerry manifestou certo otimismo com as negociações em Genebra, que devem durar dois dias. “Acreditamos que há uma forma para que isso saia”, disse ele, acrescentando que os EUA estão “gratos” pelas ideias sugeridas por Moscou.
Mas ele e Lavrov divergiram fortemente sobre as ameaças militares dos EUA.
“Partimos do fato de que a solução deste problema tornará desnecessário qualquer ataque à República Árabe da Síria”, disse Lavrov ao lado de Kerry, que por sua vez declarou: “O presidente (norte-americano, Barack) Obama já deixou claro que, caso a diplomacia fracasse, a força poderia ser necessária para conter e degradar a capacidade de uso dessas armas por Assad”. Ele ressalvou, no entanto, que a solução pacífica é “claramente preferível” à ação militar.
Assad nega intimidação
A decisão da Síria de ceder o controle de suas armas químicas foi resultante da proposta russa e não da ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos, disse o presidente sírio, Bashar al-Assad, em entrevista a uma TV russa, segunda a agência de notícias Interfax.
“A Síria está colocando suas armas químicas sob o controle internacional por causa da Rússia. As ameaças dos EUA não influenciaram a decisão”. “Quando virmos que os Estados Unidos realmente querem estabilidade na nossa região e pararem de ameaçar, empenhando-se para atacar, e também suspender entrega de armas a terroristas, então nós vamos acreditar que os processos necessários podem ser finalizados”, disse Assad em entrevista a uma TV estatal russa, segundo a agência.
