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Chile - 40 anos

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

Era 11 de setembro de 1973, há 40 anos. Chovia, o Palácio de La Moneda, foi cercado pelas forças armadas. O presidente Salvador Allende preferiu morrer a ceder às forças cooptadas pelo imperialismo. Enquanto o palácio era bombardeado, Allende discursou: - Companheiros trabalhadores, eu não vou renunciar. Colocado nesta transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo [...] tenho certeza que mais cedo que tarde se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passarão os homens livres para construir uma sociedade melhor. Viva, Chile, viva o povo, viva os trabalhadores?"

O cobre chileno havia sido nacionalizado por Allende, contrariando interesses econômicos dos Estados Unidos. John Marc Cone, porta-voz dos que viviam lucrando com os juros altos em Chicago, dissera: "Vamos lançar o Chile num verdadeiro caos econômico". Uma greve de caminhoneiros, financiada por essas mesmas forças, conseguiu desabastecer o Chile de modo a atribuir a culpa à gestão do presidente Allende.

A ditadura implantada no Brasil em 1964 ajudou a articular, pelo então pelo ditador Garrastazu Médici, o golpe no Chile, exportando métodos de tortura e participando da nefasta Operação Condor. O Brasil precisa pedir desculpas ao povo chileno pelos imensos sofrimentos impostos, pelos crimes cometidos. Sabemos sobre o longo período de terror do ditador Pinochet. Foi também quando e onde se gestou o chamado neoliberalismo que se espalhou por toda América Latina e caribenha, como também na Europa, África e Ásia.

Direitos trabalhistas arduamente conquistados através dos séculos, foram sendo solapados. O estado foi se reduzindo para dar lugar à ganância pantagruélica das corporações transnacionais. A reengenharia, a qualidade total, as reestruturações produtivas, responsabilidade fiscal... foram termos que entraram na moda para camuflar a disparada da exploração da maioria, para lucro de uma minoria cada vez mais minoritária.

Foi no Chile que se iniciou, com especial furor, a redução do papel do Estado, a diminuição drástica dos recursos para a educação pública e saúde, a privatização dos recursos naturais. A Cia era onipresente com a colaboração da ditadura brasileira e de sua diplomacia. Há 40 anos abortou-se uma auspiciosa arrancada chilena para maior igualdade social. O canto de Victor Jara convidou à construção de um futuro melhor: Venceremos [...] Todos juntos, façamos a história. Não fosse assassinado, veria o renascer do Chile que tanto amou. Aqui, no Brasil, devemos pedir perdão ao povo chileno e fazer história.

A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora de Opinião

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