Economia & Negócios

Aumento do gás pode encarecer os alimentos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, está 6,2% mais caro em Bauru.

O repasse é aplicado desde a última segunda-feira por grande parte das revendedoras da cidade, que alegam que o reajuste acontece anualmente em função de negociações referentes ao dissídio dos trabalhadores da categoria.

O fato, entretanto, é contestado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo (Sipetrol), que afirma que não há motivos para o atual reajuste, já que as negociações sobre o dissídio ainda não foram finalizadas (leia mais abaixo).

Para o consumidor, o aumento significa que o preço do botijão comum de 13 quilos deve ficar até R$ 3,00 mais caro, variando de R$ 45,00 a R$ 48,00, conforme a marca.

Na cidade, alguns comerciantes já contabilizam o impacto que o reajuste deve provocar no preço dos alimentos, principalmente nos pratos prontos.

Impacto

“O gás já está caro e esse aumento reflete diretamente no preço dos pratos nos restaurantes e até nos buffets. O comerciante que não reajusta tem que diminuir seus lucros para manter-se no mercado. Esses R$ 3,00 fazem toda a diferença. Por mês, gasto três botijões, ou seja, serão R$ 108,00 de despesa a mais em um ano”, calcula o chefe de cozinha Mauro Félix, que atua no ramo há 15 anos.

Proprietária de um restaurante e marmitaria na Vila Cardia, Amanda de Aguiar reforça a situação.

“Uma coisa acaba puxando a outra. Hoje mesmo precisei trocar o gás e notei o aumento. De R$ 130,00 foi para R$ 137,00 o preço do cilindro P-45 (45 quilos). Uso dois a cada 15 dias”, afirma a empresária, comentando que ainda faria as contas para decidir se aplicará ou não o reajuste em seus produtos.

A realidade também é confirmada pelo economista Reinaldo Cafeo, que aponta o aumento do GLP como mais um estopim para a redução de poder de compra da população.

“O consumidor já está sofrendo com aumento de vários produtos, como o trigo, o leite e o próprio combustível, portanto, não é somente um aumento de R$ 3,00, mas um somatório que prejudica principalmente as famílias de menor renda e quem usa os serviços fora de casa para alimentação”, pontua o economista.

“As indústrias já estão com as margens apertadas, qualquer repasse nesse momento afeta o bolso do consumidor”, acrescenta.


O reajuste

Em uma rápida pesquisa, a reportagem conferiu o preço de três revendedoras de gás LP de diferentes marcas em Bauru.

Em uma delas, localizada na Vila Coralina, a unidade do botijão, antes comercializada por R$ 43,00, subiu para R$ 45,00. Para segurar os clientes e seguir forte na concorrência, a empresa tem feito promoções para consumidores levarem mais de uma unidade.

No Jardim Marambá, o preço praticado é o mesmo, embora a marca do botijão seja diferente.

Já no Núcleo Geisel, outra revenda aumentou de R$ 45,00 para R$ 48,00 o preço do GLP na última segunda-feira.

“O pessoal reclama muito, principalmente os aposentados, mas não temos como segurar o preço, as despesas aumentam”, afirma o proprietário da revenda em questão, Cleiton José Budoia.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) realiza um acompanhamento semanal dos preços e margens de comercialização praticados pelas distribuidoras e postos revendedores de combustíveis.

Por meio do site, é possível ter acesso aos dados que mostram que os preços praticados pelas revendedoras que, até a primeira semana de setembro, variavam entre R$ 37,00 e R$ 45,00 em Bauru.


Dissídio?

Questionado sobre os motivos que levaram ao reajuste, o revendedor ressalta o dissídio como uma das principais justificativas.

“Como a data-base é setembro, isso acontece todos os anos”, afirma Cleiton José Budoia, apontando ainda o reajuste do pedágio e do frete cobrado das distribuidoras que recebem o gás de Paulinia (SP) como motivações.

A afirmação, entretanto, foi contestada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo (Sipetrol), que representa a categoria de Bauru e região.

“Ainda estamos em negociação, nada foi acordado, portanto não há motivos para reajuste do preço em função do dissídio. Mesmo com a negociação fechada, não haveria motivos para reajuste. O setor patronal está se beneficiando disso. O preço já sofre vários aumentos ao longo do ano por não existir um controle”, critica José Floriano da Rocha, diretor do Sipetrol.

Questionado, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) não informou quais os motivos do reajuste.

“O Sindigás esclarece que os preços do GLP são livres em todos os elos da cadeia. Não há tabelamento e, por isso, os preços sofrem variações para cima e para baixo de maneira não uniforme. As distribuidoras associadas não reportam ao sindicato qualquer aumento ou baixa de preço. Como o mercado tem autonomia para fixar seus preços, cabe ao consumidor pesquisar aquele revendedor que tem condições comerciais mais vantajosas”, disse por meio de nota.

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