Cultura

Um artista de primeira


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Aceituno Jr.

Banda Sinfônica Municipal durante abertura da feira ontem à noite no recinto

Quando as pessoas forem à Feira da Bondade hoje e adquirirem, ao preço de apenas R$ 20,00, uma camiseta com a estampa da 36ª Feira da Bondade, não vão apenas estar ajudando a manter a entidade, mas também a valorizar o trabalho artístico de um aluno da entidade. Toda a arte visual das camisetas foi feita com base no quadro de Alexandre Roque Pereira, que neste momento está em trânsito indo para representar o Estado de São Paulo no IX Festival Nossa Arte Nacional, em São Luís do Maranhão. O Festival acontece de três em três anos e ele foi classificado como um dos representantes em artes visuais do Estado. Já passou pelas etapas regionais (em Botucatu) e estadual (em Paulínia).

Como forma de valorizar e homenagear Alexandre, o quadro que ele fez serviu de inspiração aos organizadores da Feira da Bondade 2013 e a arte foi usada como sua marca visual e estará presente em folders, banners e camisetas do evento.

Eder Azevedo

Aluno e artista plástico Alexandre Pereira com a mãe, Cláudia: talento e empenho

Técnica diferente: quilling

Para fazer seu quadro, Alexandre aprendeu com a professora Claudenir Helena Pereira, a Claudia, a técnica do quilling, que consiste em enrolar tiras de papel (ou outro material como fitas de E.V.A. – espécie de borracha – ou tecido) e, com esses rolinhos, formar figuras e colá-las numa base desenhada de forma a compor um quadro.

“Foi o próprio Alexandre quem escolheu uma bandeira do Brasil estilizada para fazer sua peça artística. Tenho o croqui do desenho em casa e, quando ele viu, ficou entusiasmado” conta a mãe do “garoto-artista” Claudete Pereira Aguiar, que viu o filho ficar muito mais calmo, relaxado, feliz e focado quando resolveu se dedicar a essa arte.

Garoto por assim dizer, porque ele já tem 28 anos e está na Apae desde os sete, mas para a mãe sempre será um menino, por causa de suas necessidades. Ele se dedicou tanto ao trabalho que, embora fosse à escola das 13h às 17h, no Ouro Verde, levava as tirinhas já recortadas pela professora para casa, e fazia mais trabalho lá. “Ele ouvia música e ficava por horas compenetrado, mergulhava no trabalho e, no dia seguinte, levava a tarefa feita de volta para a escola. A única coisa que ele não fez foi cortar as tirinhas porque a gente não libera a tesoura para ele e ele tem alguns problemas de coordenação motora” ressalva a professora Claudia.

Mudança dos tons

“Na Apae tinha a ajuda da professora na colagem, mas sabia direitinho aonde ia cada rolinho e, nos últimos tempos, acabou tendo preferência por cores mais fortes, mais intensas, antes era só preto no branco”, conta a mãe. E não é que mudar deu certo e seu trabalho já está numa final nacional?

 

Professora e colegas orgulhosos

O reconhecimento do trabalho, não só do Alexandre, mas de todos da classe enche de orgulho. Ontem, quando estivemos na unidade do Ouro Verde, todos estavam desenvolvendo novos trabalhos com E.V.A. Flores já estavam ganhando forma. Luciano Grotto, professor de expressão corporal, falava que o público vai se surpreender com a dança que os alunos da APAE vão apresentar nesta Feira da Bondade. Aliás, cada um deles tem uma história de superação. Uma história que precisa continuar. Para que outros artistas como o Alexandre se destaquem.


A técnica

Quilling é um trabalho manual realizado com tiras de papel enroladas e modeladas. Sua origem é incerta, sabe-se que a técnica já era realizada na Europa (Itália, França e Inglaterra) durante a Idade Média aplicada a outros materiais, como metais, em grades e cachepôs. No Brasil ela tem sido difundida nos últimos anos e realizada por muitos artesãos que conferem aos seus trabalhos um toque particular. É excelente terapia também para recuperação de movimentos manuais.

 

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