Economia & Negócios

Cachaça nacional busca reconhecimento da China e União Europeia


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Após obter o reconhecimento oficial dos Estados Unidos como um produto genuinamente brasileiro (desde abril deste ano), o setor de cachaça busca agora a autenticação da China e da União Europeia para avançar nas exportações da bebida. De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos Ribeiro, a prioridade é a União Europeia, por terem mercados consumidores muito relevantes em destilados, mas as negociações com a China já começaram.

 

Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo

Luiz Vicente Mendes, coordenador da BrasilBier, e José Lúcio Mendes, coordenador de Marketing da Expocachaça 2013

“As negociações com a China se iniciaram neste ano e será parecido com o que fizemos com os Estados Unidos: em troca do reconhecimento deles, vamos oficializar o nosso aval para dois destilados deles”, disse o executivo, em conversa com a imprensa para a divulgação da 23ª Expocachaça e 7ª Brasilbier.


Quando o órgão do governo norte-americano especializado no comércio de álcool e tabaco, o Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau (TTB), publicou o reconhecimento da cachaça como produto brasileiro, o governo brasileiro, em contrapartida, formalizou o reconhecimento do “Bourbon Whisky” e o “Tennessee Whisky” como bebidas genuainamente americanas.


Entretanto, embora o reconhecimento das autoridades chinesas seja bem-vindo, a prioridade do setor é buscar o movimento por parte da União Europeia. “A região é o maior mercado consumidor de destilados no mundo. Temos o dever de casa de agilizar os requisitos que a União Europeia está pedindo, como desenvolver melhor as indicações geográficas (regiões produtoras), as instituições que regulam o setor, entre outros dados”, ressaltou Ribeiro.



Produção


Da produção total anual da bebida, cerca de 1,4 bilhão de litros, somente 1% - 8 a 14 milhões de litros por ano - são vendidos no exterior para cerca de 70 países, conforme informações do Ibrac. Dentre os principais mercados da bebida brasileira, em volume, estão Alemanha, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Bolívia, entre outros.


“O reconhecimento dos Estados Unidos sem dúvida é chancela para outros países. Não arrisco falar quanto esse 1% pode chegar, mas o potencial para as exportações da bebida é enorme”, disse.


O setor também conta com os eventos esportivos a serem realizados no Brasil nos próximos anos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. “Os eventos serão uma vitrine e podemos ter a oportunidade de mostrar a bebida para o mundo e impulsionar nossas vendas externas”, comentou o presidente do Centro Brasileiro de Referência da Cachaça (CBRC) e também diretor de marketing da Expocachaça, José Lúcio Mendes.


Mercado interno, concorrência e consolidação

Conforme dados do CBRC, o setor movimenta cerca de R$ 7 bilhões/ano com cerca de 40 mil produtores, sendo 98% de pequenos e microempresários, e quatro mil marcas comercializadas no mercado. O Estado de São Paulo ocupa a liderança na produção da bebida em todo o País, com representatividade de 45% dos produtores.


Pernambuco e Ceará detêm quase toda a produção de cachaça industrial ou de coluna. Já em cachaça de alambique, Minas Gerais detém 60% da produção total e quando considerada a fabricação total da cachaça no País, a representatividade do Estado é de 30%.


Hoje, o consumo per capita da bebida está em 11,5 litros de cachaça por ano. “Hoje, as mulheres estão se destacando como grandes consumidoras, quebrando imagens ruins da bebida e fazendo uma revolução de como o público trata a cachaça. Mas temos desafios para crescer no mercado interno: elevar a qualidade da nossa bebida; combater a informalidade do setor e consolidar o conceito de bebida ‘segura’ no mercado e seguir quebrando os preconceitos que ainda existem”, afirma Vicente, do Ibrac.


Para ele, a cachaça quer ocupar uma fatia do mercado da vodca. “A vodca tem aroma neutro, é a destilação do álcool puro. Diferente da cachaça que trabalha com muitos aromas e sabores”, ressaltou. Com relação à cerveja, Vicente disse que a cachaça não é uma ameaça e sim, um complemento. “Quem bebe cerveja acaba pedindo uma dose de cachaça depois e vice-versa”, diz.


Ainda segundo ele, todas as grandes fabricantes de bebidas estão colocando a cachaça em seu portfólio. Movimentos como a compra da Ypióca pela multinacional Diageo e da aquisição da Sagatiba pelo grupo Campari foram citados pelo especialista. “Pela pulverização do setor, a tendência é de continuidade dessa consolidação. E vemos esse movimento com muito otimismo, já que acaba trazendo mais profissionalismo e qualificação ao setor”, declara.

 

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