Tribuna do Leitor

Parabéns, Itapuí!


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Muitos já escreveram sobre a paixão que possuem pela cidade natal. Sou mais um que vem tentar transferir o enorme carinho que tenho pela minha querida Itapuí. Especialmente nesta data em que se comemoram os 100 anos de sua emancipação política. São muitas as alegrias que pude vivenciar durante estes 55 anos de vida e que muitos deles ocorreram entre os amigos, parentes e moradores desta cidade tão acolhedora.

Tento resgatar um pouco na memória, aqueles primeiros passos dados na Praça, local onde está o cartão de visita da cidade, com uma jardinagem que enche os olhos de seus visitantes e é o orgulho de seus moradores. Ao centro, o coreto, onde todos os domingos desfrutavam das músicas da "bandinha" e as famílias aproveitavam deste momento para se encontrar.

Os casais de namorados aproveitavam o clima e nos bancos do jardim, muito bem observados pelo guarda da praça, buscavam as primeiras carícias. Aqueles que ainda flertavam, aguardavam os encontros com as pretendentes que desfilavam, sempre no mesmo sentido, enquanto os rapazes faziam o cortejo ao contrário. A imponente Igreja de Santo Antônio de Pádua, do qual o fundador do pequeno povoado era devoto, é o símbolo da fé deste povo.

Nesta mesma praça fazem as comemorações de Santo Antônio, o Santo Padroeiro, com belas festas, onde se pode confirmar a enorme presença de todas as famílias e sua devoção. Um dia, o trem de ferro foi desativado, mas guardo com carinho ainda seu apito, que, ao chegar, trazia visitantes, notícias, mercadorias, e, ao sair, levava carinhosamente acenos de saudade. O futebol era a alegria da maioria da população. Os jogos aconteciam no domingo à tarde e logo após havia comemoração no salão do clube. Grandes jogos com disputas acirradas e espírito apaixonado dos integrantes de cada quadro. Os bailes eram especialmente preparados por uma comissão que esmerava em cada detalhe, proporcionando grandes acontecimentos.

Também por conta da modernização ficamos sem a ponte do rio Tietê, além de nos unir com outras cidades, era o elo de visitas aos parentes e amigos da querida irmã Boracéia, que, por um longo tempo, fez parte do nosso território. As águas da represa de Bariri não só afundaram a ponte como trouxeram também desemprego. As fazendas foram aos poucos desativadas e a maioria das famílias viu a necessidade de buscar oportunidades nos grandes centros. Nessas fazendas era comum, após as colheitas, comemorar com grande festa, onde se serviam comidas e bebidas com fartura e a música de boa qualidade se estendia até o nascer do novo dia.

O leitor deve estar percebendo que a história se repete na maioria das cidades, mas veio uma nova fase onde se buscou a modernização. E em Itapuí não foi diferente. Foi instalada a "Prainha" e ao lado o Camping Clube do Brasil. O turismo era a bola da vez. Famílias inteiras se reuniam nos finais de semana e havia uma diversidade de cardápios e sons. Cada qual trazia sua maneira de aproveitar o dia de descanso. As indústrias, avícolas, atacado, comércios e demais empresas, todas gerando empregos e trazendo melhorias aos cidadãos, forçando os poderes públicos a acompanhá-los com modernizações nas estradas, escolas, infraestruturas, segurança e tudo mais.

Hoje, podemos desfrutar de uma qualidade de vida, com comércio atuante, acolher nossos visitantes e olhar para o futuro com mais esperança.

Os ideais de nosso fundador se vêem realizados e a certeza de prosperidade renasce em cada amanhecer. Parabéns a todos que de alguma forma contribuíram e aqueles que continuam a dar sua parcela através do trabalho e ações em prol desta comunidade. Em breve estaremos lançando um livro contando detalhadamente a trajetória desta comunidade. Foi uma iniciativa de três amigos que muito amam esta cidade: Paulo F. C. Negraes, João B. Cardoso e Luiz A. Pachelli e que encontraram dois profissionais que fizeram esta obra acontecer José Renato A. Prado e Léa de Ungaro A. Prado. Aguardem.

Luiz Antonio Pachelli - administrador de empresas

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