Tribuna do Leitor

Mãe especial X inclusão radical


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Quando penso em educação especial, imagino respeito, integração, socialização, responsabilidade, professores treinados e com conhecimento de métodos e técnicas específicas a serem utilizados nas várias etapas de aprendizado, respeitando as limitações de cada aluno. Quando ouço a respeito de inclusão, já entro em pânico, principalmente por se tratar agora de inclusão radical.

Acredito que nós, mães, pais e responsáveis de portadores de necessidades especiais, temos sim o direito de escolhermos em que tipo de escolas queremos os nossos filhos. Conforme é de conhecimento público através da Meta 4 do PNE, as apaes de todo Brasil serão fechadas e nossos filhos perderão o direito a frequentar escolas especias.

Gostaria de perguntar a exma presidente Dilma Russef e ao senhor ministro da Educação, Aloísio Mercadante, e a todos os políticos envolvidos nesta ideia insana, se eles têm noção do que estão querendo, se conhecem de perto nossas crianças, adolescentes e adultos portadores de vários tipos de síndromes, algumas diagnosticadas, outras sem diagnósticos comprovados, lembrando que a falta de diagnóstico é graças ao "excelente" atendimento na rede pública de saúde. Então, convido a todos para que antes de cometer este grande absurdo, venham até nós, minha casa, a Apae Bauru, estará de portas abertas para que possam conhecer como é feito o trabalho, como cuidar de uma criança especial, para depois disso, sim, ver se terão coragem para aprovar esta lei.

A população em geral sabe muito bem como está a educação pública do nosso País, senhor ministro da Educação. Vocês não estão dando conta de educar os "normais", que estão totalmente sem respeito, sem responsabilidades e sem educação, vejo adolescentes no 6.o e 7.º ano que não sabem nem tabuada e redação, interpretação de texto, então... Meu Deus! E vocês querem colocar nossas crianças especiais que não têm condições de falar, se locomover ou até mesmo de sustentar o próprio pescoço em uma sala com 40 alunos que não receberam educação correta, com um professor sem condições nenhuma de dar atenção?

O que vai acontecer com as nossas crianças? Servir de chacota da turma, sofrer bullying, se desesperar no meio daquela bagunça infernal, sem ter ninguém para acudi-las? Quem irá alimentar nossos filhos no intervalo? Você, senhor Mercadante, terá enfermeiras para manusear as sondas de alimentação? Terá cuidadoras para trocar suas fraldas? Professoras especializadas em educação especial?

Acessibilidade em todas as escolas? Cama hospitalar para aqueles que não podem permanecer muito tempo sentado? Ah, senhor Mercadante, por favor, tenha consciência, assuma que não tem condições nenhuma. Procure melhorar as escolas para atender bem, educar como era feito anos atrás, ensinar, não querer que o Brasil seja no papel um país alfabetizado quando na verdade o que temos são "analfabetos" com diploma.

Quero pedir o apoio de toda população bauruense para que esteja presente na Feira da Bondade, no Recinto Mello de Morais, a fim de batermos recorde de público para mostrarmos a esses políticos o quanto a sociedade reconhece o trabalho da Apae Bauru e reforçar que toda a arrecadação deste evento é para ajudar a manter no final do ano o atendimento para 2 mil usuários, pois o governo não se responsabiliza pelo 13.o e férias.

Mais uma vez, senhor ministro da Educação, por favor, ao invés de exterminar com as apaes, preocupe-se em melhorar os recursos que são repassados, pois os mesmos encontram-se totalmente defasados.

Mirian Corrêa

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