JC Criança

Vamos combater o bullying!


| Tempo de leitura: 4 min

Você sabe o que é bullying? Uma palavra até pouco tempo desconhecida pela maioria das pessoas se tornou o assunto do momento. O bullying passou a ter presença constante na mídia, mas muitas crianças, adolescentes e até pais ainda têm diversas perguntas sobre essa prática - que inclui toda forma de agressão, sem motivo aparente, em que se faz uso de poder ou força para intimidar ou perseguir alguém.

Quando isso acontece, a criança, o adolescente ou o jovem que é vítima de bullying pode ficar traumatizado e passar a ter problemas de relacionamento. Por isso, essa prática deve ser eliminada da nossa sociedade!

Nesta matéria, você vai conhecer um pouco mais sobre esse assunto tão polêmico através de perguntas feitas por várias pessoas ao site "Educar para Crescer", que colocou no ar um especial sobre o assunto. Quem respondeu as perguntas foi a psicóloga Juliane Callegaro Borsa, doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Ela desenvolve uma pesquisa sobre o assunto e quer conhecer a opinião dos pais de alunos do ensino fundamental sobre bullying. Quem quiser participar, basta acessar: https://surveymonkey.com/s/projetobullyingbrasil.

O que é bullying?

Bullying é uma palavra inglesa (bully, que significa valentão, brigão) que não possui uma tradução adequada para o português. Alguns traduzem como provocação, intimidação, assédio ou vitimização, mas esses termos reduzem um pouco a situação, pois não compreendem toda a complexidade do problema. O bullying é um problema que ocorre entre crianças e adolescentes no Brasil e no mundo. Acontece com maior frequência na escola, na relação da criança com seus colegas. Porém, também pode ocorrer em outros ambientes, como na vizinhança, em centros esportivos e em outros locais que sejam frequentados por crianças e adolescentes. Trata-se de uma série de comportamentos agressivos repetitivos que acontecem em um contexto de desequilíbrio de poder entre o agressor e a vítima. Essas agressões podem ser físicas, verbais ou relacionais e têm objetivo de prejudicar outra pessoa.


Que atitudes podem
ser consideradas bullying?

O limite entre o que é bullying e o que é uma brincadeira é muito tênue. O mais importante é reconhecer se o comportamento causa sofrimento para a vítima e se o agressor o pratica com a clara intenção machucar, prejudicar ou causar sofrimento. Para ser bullying a agressão tem que ter um caráter intencional, precisa acontecer repetidas vezes e o agressor deve possuir certo poder sobre a vítima, que se sente impotente frente à situação de vitimização e não sabe se defender. É importante lembrar que o fato de uma única agressão não se caracterizar como bullying não significa que ela não seja grave. Uma agressão isolada, ou distinta do bullying, pode causar, também, sérios prejuízos físicos e psicológicos.

Como identificar se a criança está sendo vítima?

Não há critérios precisos sobre como identificar, mas alguns sinais são comuns nas crianças vítimas, como por exemplo:

- Dificuldade de aprendizagem e de concentração em sala de aula;

- Queda repentina no rendimento escolar;

- Resistência para ir à escola, falta de interesse nas atividades escolares (sobretudo aquelas que envolvem maior interação, como passeios, gincanas e outras atividades extraclasse);

- Pesadelos, insônia ou medo de dormir sozinho;

- Choro frequente, queixas em relação à escola;

- Sentimento de exclusão perante os colegas;

- Relatos de estar sofrendo deboches ou humilhações;

- Pedir pra abandonar ou trocar de escola;

- Tornar-se agressivo, ansioso ou deprimido;

- Voltar pra casa com machucados, roupas e materiais danificados, entre outros.


É importante deixar claro que esses sinais não significam que a criança, necessariamente, esteja sofrendo bullying, mas é importante estar atento a eles.

Qual é o caminho para superar o problema?

O bullying pode trazer importantes prejuízos tanto para a vítima como para o agressor, podendo atingir também as crianças que assistem aos episódios de agressão, mas que não participam ativamente. Ansiedade, depressão, episódios de pânico, dificuldade de se relacionar com outras pessoas, problemas de rendimento acadêmico, abuso de substâncias, envolvimento em atos infracionais são alguns exemplos. Por isso, é fundamental estar atento aos sinais que a criança emite. Em caso de sofrimento, é muito importante que os pais busquem ajuda profissional especializada. Um psicólogo qualificado será capaz de auxiliar a criança a superar dificuldades e buscar recursos internos para lidar com o problema e com suas consequências.

Como ensinar a criança a se
defender dessas agressões?

Em casos de vitimização, é importante orientar a criança a buscar ajuda de um adulto (professor ou pais), a não guardar segredo sobre a situação e a evitar contato com o agressor. Entre 2008 e 2012 realizei um estudo sobre os comportamentos agressivos de crianças no contexto escolar. O estudo contou com mais de 700 crianças de Porto Alegre e região metropolitana. Verificou-se que os meninos tendem a ser mais agressivos que as meninas, e a atitude de pedir ajuda ao professor em casos de vitimização foi mais comum em meninas do que em meninos. Os meninos tendem a revidar a agressão com mais frequência que as meninas, que tendem a reagir chorando e se isolando.

Comentários

Comentários