A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), em parceria com a Secretaria Municipal de Obras, obteve licença ambiental para instalação de uma usina de entulhos, em Bauru.
Aceituno Jr. |
|
|
|
O novo serviço, previsto para julho de 2014, funcionará no mesmo local onde estão instaladas a usina de asfalto e a fábrica de pré-moldados da prefeitura, no Distrito Industrial 1.
A ideia é que as britas geradas pela usina, a partir de entulhos oriundos especificamente de obras da prefeitura, sustentem a produção da fábrica em questão e sirvam como base para capa asfáltica em obras de pavimentação, além de também proporcionar maior agilidade na recuperação de ruas de terra.
“Com a implantação, a ideia é que a unidade se consolide como um complexo da construção destinado a obras da prefeitura”, afirma o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, sobre o futuro das usinas localizadas ao final da rua Waldemar Pereira da Silveira, no Distrito Industrial 1.
A melhoria advém de um projeto aprovado há dois anos no Ministério das Cidades, que contemplou Bauru e outras três cidades do País com recursos, através da Caixa Econômica Federal, para obras visando a Copa do Mundo de 2014. O projeto, entretanto, esestava parado na Semma.
“Tínhamos um impasse em relação à área. Conseguimos há pouco tempo a licença ambiental prévia e de instalação pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Agora, estamos correndo com o resto das liberações e licitação da máquina britadeira”, comenta Valcirlei Silva, titular da Semma.
Contrapartida
O projeto é orçado em R$ 1,5 milhão. Desse valor, R$ 800 mil serão pagos com o recurso obtido junto à Caixa e o restante será contrapartida do município.
“Já está tudo certo. O recurso, provavelmente, sairá da Secretaria de Obras”, afirma o prefeito Rodrigo Agostinho.
“Mas será uma usina pequena, destinada ao recolhimento de entulho da prefeitura. Não adianta pensar que ela irá resolver o problema do entulho na cidade toda”, reforça.
A usina em questão será gerenciada pela Semma, com apoio da Secretaria de Obras, que será a beneficiária direta da produção do material.
“Temos uma grande demanda por brita. Infelizmente, hoje é comum a compactação sem britagem do solo. Com a produção própria, essa demanda será suprida”, aponta o titular da pasta, acrescentando que a usina aumentará ainda a capacidade de recolhimento dos entulhos da prefeitura nos terrenos pela cidade.
“Não tínhamos para onde levar as tubulações quebradas. Isso aconteceu com os tubos que rodaram no Jardim Marabá e nas obras do córrego Barreirinho. Com a usina, esses materiais serão recolhidos com mais rapidez”, promete Rodrigues.
Economia
A brita gerada será utilizada como base de asfalto na pavimentação, para a recuperação de estradas de terra e como matéria-prima para a confecção de pré-moldados como, por exemplo, guias, tubulações, sarjetas, bancos de praças, entre outras peças confeccionadas pela fábrica municipal.
“Só no ano passado gastamos cerca de R$ 800 mil comprando basalto. Com a usina, poderemos produzir material de primeira linha para usar na fábrica e nas ruas e ainda economizar”, frisa Rodrigues.
Atualmente, a prefeitura paga R$ 40,00 para cada tonelada de brita adquirida. Apenas uma empresa em Bauru possui licenciamento para esse tipo de serviço. Além do benefício financeiro, os secretários ressaltam o valor ambiental da futura unidade.
“Todo o entulho recolhido hoje vai para bolsões e, muitas vezes, sem a triagem adequada. Isso permite que o material retorne ao ciclo produtivo”, pontua Valcirlei, explicando que a execução do projeto vem ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Estrutura e capacidade
A usina de entulhos do município será instalada em uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados, ao lado da usina de asfalto e da fábrica de pré-moldados.
Em um passeio rápido pelo local, é possível notar a subutilização do espaço pela prefeitura. Grande quantidade de entulhos e sucatas cerca o terreno.
Segundo Valcirlei, a expectativa é de que a usina comece a funcionar com dez funcionários e produza cerca de 40 toneladas por hora. “É o que esperamos, mas trabalharemos de acordo com a demanda”, reforça.
Além da britadeira, a usina contará com uma pá carregadeira da Secretaria de Obras e com um caminhão basculante da Semma.
No local, um galpão antigo será demolido e dará espaço a um novo barracão e a um escritório da unidade. Os entulhos do antigo prédio, inclusive, serão usados como teste durante as primeiras horas de funcionamento da britadeira, conforme Rodrigues.
Pioneiro?
Os secretários de Obras, Sidnei Rodrigues, e do Meio Ambiente, Valcirlei Silva, afirmaram que a usina em questão não se trata de um projeto inovador, mas acreditam que a unidade seja única na região.
“Várias cidades possuem uma usina como essa, mas não na região de Bauru. Sabemos que em São José do Rio Preto, por exemplo, a prefeitura consegue economizar até R$ 1 milhão reutilizando entulhos”, afirma Rodrigues. “Bauru ficou muitos anos parada no tempo. Entendemos essa usina como uma atualização”, fecha questão Valcirlei.
Usina de asfalto será modernizada em 2015
Em funcionamento há quase 40 anos, a usina de asfalto da prefeitura pode ser contemplada por uma modernização em breve.
De acordo com o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, foi aprovada no Plano Plurianual (PPA) 2014-2017 da prefeitura a utilização de investimentos na ordem de R$ 1,5 milhão para a melhoria da unidade.
Conforme explica Rodrigues, a ideia é adquirir novos equipamentos que substituam a fonte de energia da usina de diesel por gás natural, até 2015.
“Teremos uma diferença de 10% em cada litro comprado. Se multiplicarmos isso por três mil litros, que é o que usamos diariamente, teremos uma boa economia, além de modernizar o serviço ”, comenta Sidnei.
Atualmente, a usina em questão produz asfalto suficiente para pavimentar até três quadras.
O material produzido no local é denominado concreto betuminoso usinado a quente. Segundo o secretário, um dos maiores problemas da unidade, contudo, está no transporte do asfalto.
“Os caminhões são antigos e não conseguem manter a temperatura de 160°C. Com isso, o asfalto perde a qualidade e o serviço acaba tendo que ser refeito frequentemente. Por isso, estamos prevendo a compra de um caminhão também”, ressalta Rodrigues.