Tribuna do Leitor

Prestidigitadores


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O título acima levou-me ao tempo da juventude quando, sentado nas arquibancadas de um circo, um recinto circular, coberto de lona, cercado de balaústre com palhas de arroz pelo chão, desmontável e itinerante era a alegria das crianças, jovens e adultos pelas palhaçadas dos verdadeiros palhaços, trapezistas e bichos amestrados. O mágico/ilusionista era sempre o último para encabular a platéia e receber os aplausos. O mundo mudou, mas o circo instalado por alguns políticos e outros diplomatas, quadrilheiros sob o manto de empresários bem sucedidos, artistas lançadores das tendências e modelos atuais de comportamentos renovam o mesmo esplendor circense daquela época. Essa renovação pode ser vista nos jornais e revistas, mas também conferidas nos canais de televisão. No momento em que surgem tantos técnicos e especialistas aconselhando isto e mais aquilo, há que se tomar alguns cuidados... Todos eles são, em algum momento, tentados pela vaidade da fama.

Os estadistas, infelizmente, por mais ilustres que sejam, não são imunizados convenientemente desse micróbio de exibicionismo que ataca até mesmo por dever de ofício os mágicos e as bailarinas... Como esses artistas que tiram pombos e marrecos de uma cartola e elas que se exibem com alegria, há muita gente espalhando sisudez e gravidade de porte, demonstrando possuir a mesma vocação. E se não têm a vocação, estão sujeitos aos mesmos desejos de se apresentarem à luz da ribalta nacional. Para o prestidigitador e para os artistas do circo existe apenas um risco pessoal, o risco de agradar ou desagradar. Ao contrário, os falsos artistas aqui lembrados representam um perigo e uma ameaça quando essa ribalta tem o mundo por platéia e a exibição é feita no palco de uma tribuna, de um púlpito ou de uma chancelaria, com exceções louváveis. A vida no mundo está cheia de sacrifícios de povos e multidões em proveito da vaidade e da displicência desses iluminados do poder temporal, que amam a complicação, contanto que a complicação seja uma oportunidade feliz para a luz dos projetores e a certeza do desfrute da evidência.

Roque Roberto Pires de Carvalho

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