Tribuna do Leitor

Pessoas quietas, mentes inquietas


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O assunto que dá título a este texto vem ganhando cada vez mais atenção, graças à publicação de Susan Cain. Seu livro, "O poder dos quietos", já tem mais de 1 milhão de exemplares vendidos. Susan dedicou anos de sua vida ao estudo das pessoas introvertidas, pois ela se considera introvertida! Mas, afinal, como os introvertidos podem mudar o rumo da humanidade? Ok! Talvez eles não mudem, mas uma coisa é certa: se quiserem, eles poderão chegar bem perto disso! Confesso que ainda não terminei de ler o livro, mas já tirei várias conclusões e juntei-as com as observações que faço o tempo todo. Sou do tipo de pessoa que tem muitas ideias, tenho um olhar e opinião para tudo, por isso envio algumas para o jornal. Mas quando tenho oportunidades variadas de expô-las nem sempre o faço. Por quê? Não é por timidez! Várias pessoas agem da mesma forma, mas ainda não sei se isso nos define como introvertidos.

Minha opinião inicial sobre os introvertidos: eles são pessoas geralmente com um nível intelectual elevado, sensíveis a ponto de perceber coisas ao seu redor que são claramente visíveis só para eles, e ao contrário do que muitos pensam, eles não temem o julgamento que outras pessoas possam fazer de suas palavras, mesmo assim, são pouco adeptos da oratória. Eles gostam mesmo é de se perder em seus pensamentos! Os introvertidos enxergam o mundo diferente dos extrovertidos, o extrovertido não tem problema em falar e expor suas ideias, na verdade, mesmo que suas ideias sejam péssimas ele vai falar de qualquer maneira. O introvertido fica preso em um mundo de pensamentos diversificados. Parece-me que as pessoas enxergam os introvertidos como pessoas sem ambição e incapazes de cometer qualquer ato digno dos holofotes. Não é bem assim! Em minha opinião, um grupo, seja ele qual for, funciona melhor se houver um integrante introvertido, pois alguém precisa refletir durante as enxurradas de ideias propostas por determinado grupo. Mas tenho, ainda, a impressão de que alguns introvertidos sentem-se melhores trabalhando sozinhos.

Acredito que o introvertido tenha uma personalidade tão forte quanto o extrovertido, porém, ele precisa de espaço para organizar seus pensamentos e muitas vezes eles não sentem a necessidade de mostrar às outras pessoas o quanto são capazes de contribuir com a promoção de mudanças significativas em todas as esferas do mundo. Por exemplo, imagine os pesquisadores que "descobrem" as vacinas. Para mim, essas pessoas são, em sua maioria, introvertidas! Na verdade, eles não procuram a "cura" para alguma doença, pois se fosse algo pronto, que estivesse perdido, qualquer um seria capaz de encontrar. Eles pesquisam incansavelmente sobre seu objeto de estudo até chegarem a um resultado satisfatório, para isso é necessário afinco e introspecção que só pessoas capazes de conviverem com o silêncio são capazes de apresentar.

A grande questão é que vivemos em um mundo onde as pessoas têm necessidade de expor seus ideais e mostrar o quanto "estão certas" sobre tudo! Não pense que ser extrovertido é ruim, porém essa extroversão não deve se tornar objetivo dos introvertidos. Penso que deve existir consenso entre os dois tipos de pessoas, pois em vários momentos, as pessoas quietas precisam da voz do extrovertido para fazer valer suas ideias e seus ideais.

Prova disso é que até pouco tempo atrás as pessoas estavam saindo às ruas, manifestando e pedindo o respeito aos seus direitos, será que tinha algum introvertido no meio deles? A manifestação foi importante, e acho pouco provável que os introvertidos tenham sido maioria na mesma. Porém, é indiscutível a possibilidade de que uma pessoa introvertida tenha capacidade de refletir sobre esses fenômenos e achar maneiras eficazes de solucionar os tais problemas expostos nas manifestações, sem nem ao mesmo abrir sua boca.

Não acho que os introvertidos sejam melhores que os extrovertidos. Penso que o mundo precisa dos dois tipos de pessoas para evoluir. A grande questão é: precisamos silenciar e escutar as mentes inquietas de pessoas que pouco falam, mas têm pensamentos, cuja a execução pode, sim, mudar o rumo da humanidade.

Amanda Dippólito - pedagoga

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