Ao tomar posse ontem, o novo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, prometeu maior diálogo entre o Ministério Público Federal e as outras instituições públicas brasileiras.
No primeiro discurso, Janot afirmou que “a predisposição pelo diálogo não significa a renúncia à missão constitucional”. “Ser firme não é ser inflexível”, explicou. O novo Procurador-Geral disse que irá defender a “interação institucional, sem abandonar a defesa da ordem jurídica”.
As declarações do novo Procurador-Geral mostram uma postura quase antagônica à de seu antecessor, Roberto Gurgel, que se desgastou com o Congresso.
Uma das plataformas da vencedora campanha de Janot, por exemplo, foi o rompimento do isolamento institucional. Essa postura “reconciliadora” garantiu ao procurador apoio entre deputados e senadores.
Ao lembrar sua carreira no Ministério Público, iniciada na década de 80, afirmou que durante a ditadura militar (1964-1985) havia pouca liberdade para a atuação dos procuradores. “O pão era caro e a liberdade, pequena”, disse, parafraseando o poeta Ferreira Gullar.
Também reafirmou que a Constituição de 88 foi definidora para reconstruir o papel do Ministério Público na sociedade brasileira. Janot afirmou que assume o cargo não “em nome da ambição e da vaidade pessoal”.
Entre outras autoridades, estiveram presentes na solenidade a presidente da República, Dilma Rousseff, o vice-presidente, Michel Temer, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, e o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves. Pelo menos sete ministros do governo Dilma e outros cinco ministros do STF também prestigiaram a ocasião.