Quioshi Goto |
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Morador do Alto Alegre, Paulo Sérgio Correa está sem água desde a noite de sexta-feira |
Moradores da região noroeste de Bauru viveram um dia de contrastes, ontem. Enquanto a chuva caía abundantemente do lado de fora das casas, as torneiras dos imóveis continuavam secas.
Enfrentando falhas de abastecimento de água desde o ano passado por conta da queda de produção do poço Roosevelt 2, 20 mil moradores distribuídos em dez bairros não tiveram a situação solucionada nem mesmo após os 34,3 milímetros de chuva acumulados na cidade, ontem. Até as 16h30, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) já havia recebido 27 reclamações sobre falta d’água naquela região.
Anteontem, no entanto, foram registradas 65 queixas. A redução, segundo a autarquia, é resultado imediato da chuva, embora nem todos os moradores tenham voltado a receber água regularmente em suas casas.
“O reservatório Nove de Julho (que abastece o poço Roosevelt 2) ganhou nível. Se a temperatura continuar amena, a expectativa é que o reservatório possa atingir 2,5 metros (nível considerado ideal para não haver desabastecimento)”, comenta o DAE, por meio de nota.
Como, por problemas de estrutura, a capacidade de vazão do poço está limitada a 76 mil litros por hora, apenas com a redução do consumo o nível do reservatório consegue se normalizar. É o que costuma acontecer quando as temperaturas caem. E ontem a máxima registrada foi de 20 graus, bem abaixo dos 33 graus marcados pelos termômetros anteontem.
Mas, mesmo assim, os transtornos não cessaram para boa parte da população. Morador do bairro Alto Alegre, o funcionário público Paulo Sérgio Lima Correa, 42 anos, conta que está sem uma gota sequer de água em casa desde a noite da última sexta-feira.
“No sábado, fui com a família na casa de amigos. No domingo, na casa da minha mãe, onde lavamos roupas e tomamos banho. Tudo para não acabar com a água da caixa”, lamenta.
Segundo Correa, o abastecimento foi retomado na madrugada de ontem, mas, horas depois, foi novamente interrompido. Ele chegou a pegar água da chuva com bacia.
A mesma precariedade é enfrentada pelo auxiliar administrativo Renato Vicentini, 20 anos, morador do Parque Jaraguá, bairro que também é abastecido pelo poço Roosevelt 2. “Há dois meses, a água para de jorrar de manhã e só volta de madrugada. Quando tem, fazemos reserva com baldes e latões. O banho tem de ser rápido e a descarga, controlada”, revela ele.
Apesar de os problemas terem se agravado, Vicentini conta que ele e as outras duas pessoas que moram na casa vivem sob constante ameaça de desabastecimento há muito mais tempo. “Além de todo o transtorno, ainda pagamos por sopros de ar, que chegam pelo encanamento com pressão. Não tem água, mas o hidrômetro continua rodando”, reclama.
Além do Parque Jaraguá e Alto Alegre, são abastecidos pelo mesmo poço – e portanto, enfrentam os mesmos problemas – os bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Santa Edwirges, Jardim Petrópolis, Parque Roosevelt, Jardim Progresso, Gerson França, Parque União, Jardim Rosa Branca e Jardim Vânia Maria.
Luz no fim do túnel
De acordo com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), o calvário dos moradores da zona noroeste da cidade deverá acabar até o final do ano. Em recente entrevista concedida ao JC, o presidente da autarquia, Giasone Cândia, informou que deverá ser assinado ainda nesta semana o contrato com a empresa que venceu a licitação para perfurar um novo poço para abastecer a região. Após este trâmite, o poço deve começar a funcionar em 60 dias, com capacidade de produção de 200 litros mil de água por hora.
Sem estragos
Apesar das pancadas fortes e persistentes, a chuva que atingiu Bauru, ontem, não provocou nenhum estrago significativo na cidade. Houve apenas registros de pequenos alagamentos nos tradicionais pontos críticos e de um buraco que se abriu na calçada da avenida Pedro de Toledo, entre as quadras 3 e 4.
O calçamento, que sempre apresentou problemas, vem sendo alvo de matérias publicadas pelo JC ao menos nos últimos quatro anos. “Fora isso e o excesso de lama em alguns bairros periféricos, não tivemos grandes transtornos”, resume o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.
Após 57 dias sem chuvas intensas, Bauru registrou, ontem, precipitação de 34,3 milímetros, acumulados até as 20h de ontem.
Trégua hoje à noite
Depois de garantir alívio aos últimos dias quentes e secos, a chuva deverá dar uma trégua à cidade a partir de hoje à noite. Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, para hoje, ainda há previsão de pancadas durante os períodos da manhã e tarde.
Fim
Mas, no decorrer do dia, a nebulosidade tende a diminuir, com a chuva cessando até o começo da noite. Na quinta, o céu deve permanecer parcialmente nublado, com chance de chuvas isoladas apenas no final da tarde e temperaturas em elevação. “A tendência é de que o sol volte a aparecer até o final desta semana”, adianta o meteorologista André Mendonça de Decco.
