Reportagem publicada na edição desta quarta-feira (18) do jornal americano "New York Times" afirma que o relatório da ONU sobre o ataque químico ocorrido nos arredores de Damasco no último dia 21 de agosto esconde evidências de que o regime foi o responsável pela ação.
Tanto a Síria quanto a Rússia, a sua principal aliada, afirmam que o ataque foi planejado e realizado pelos rebeldes como uma forma de provocação, na tentativa de levar a uma ação militar internacional que lhes desse vantagem na batalha. Os rebeldes, na maioria sunitas, lutam há mais de dois anos pela deposição do ditador Bashar al-Assad, um alauíta (facção do islã xiita).
Conforme a reportagem, no relatório, os inspetores descrevem a trajetória de dois foguetes, remetendo-os a um reduto da elite do regime sírio, o monte Qasioun. O bairro protege as regiões onde ficam o palácio presidencial de Assad e a poderosa Quarta Divisão do Exército sírio. "É o centro de gravidade do regime", disse o general aposentado libanês Elias Hanna ao "NYT".
O monte Qasioun, continua o "NYT", é "uma das posições militares mais proeminentes de Damasco" e está muito fortemente "ligado à família de Assad, com uma rede de complexos ocupados pela elite e por membros do círculo mais íntimo do ditador".
Os rebeldes, afirma o jornal, "nunca penetraram" na região. "Em termos táticos e técnicos, eles quase certamente não conseguiriam organizar e disparar conjuntos complexos de foguetes daquela localização sem serem capturados."
Oficialmente, o relatório da ONU estabelece que houve um ataque com gás sarin que provocou centenas de vítimas, mas não estabelece qual lado do conflito foi o responsável pela ação.
Os EUA e aliados culpam o regime sírio, enquanto Assad e a Rússia culpam os rebeldes.