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Em 10 anos, Bauru não terá mais produtores de laranja

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Em dez anos, a região não deverá contar mais com produtores de laranja. A previsão, feita pelo Sindicato Rural do Estado de São Paulo em Bauru, revela um horizonte nada otimista para os citricultores, que enfrentam, cada vez mais, dificuldades para sobreviver do cultivo da fruta.

A crise é explicada por diversos fatores, que passam pela queda mundial no consumo do produto e o crescimento de pomares próprios das três principais usinas processadoras de laranja no Estado. Assim como no ano passado, as perspectivas para os negócios, em 2013, são desanimadoras.

“Mais uma vez, a indústria deverá pagar R$ 7,00 pela caixa, sendo que o custo para o produtor é de R$ 13,00. De novo, laranjas irão apodrecer no chão. A situação é muito ruim”, comenta Maurício Lima Verde, presidente do sindicato e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp).

Em 2012, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) destacou que a indústria só seria obrigada a comprar laranja caso tivesse firmado contrato antecipadamente com os produtores – o que não ocorre na maioria dos casos. Ainda conforme a entidade, diante do desinteresse para compra, a oferta de R$ 7,00 teria sido “um acordo possível” para evitar a derrocada dos citricultores.

Na ocasião, devido ao baixo preço pago pelas usinas, cerca de 100 milhões de um total de 360 milhões de caixas deixaram de ser colhidas no País. Mesmo com a perda – que diminuiu a oferta – muitos citricultores, no final da safra, ainda chegaram a vender parte da produção a R$ 4,00 a caixa, como forma de minimizar os prejuízos.


‘Pior negócio’

Com o desestímulo generalizado e a perda de capital, a estimativa é de que os resultados da safra de 2013 sejam 30% menores, não ultrapassando os 260 milhões de caixas até o final de novembro.

“E nem tudo será colhido. A produção de laranja se tornou o pior negócio dentro da agricultura, porque custa caro e está cada vez menos lucrativa”, observa Lima Verde, explicando que a fruta, por ser muito sensível, depende de aplicação de insumos e manejo específicos e dispendiosos.

Exatamente por conta dos custos elevados, a indústria, ao longo dos anos, passou a investir em pomares próprios e, hoje, responde por cerca de 40% das plantações existentes no Estado. “Elas estão se tornando autossuficientes, exportam quase a totalidade do suco que produzem e não querem mais depender do produtor. Só compram quando sua produção acaba”, frisa o presidente do sindicato.

Segundo ele, apenas os que produzem a chamada laranja de mesa (comercializada in natura para o consumidor final) ainda têm motivos para investir no setor, porque ainda conseguem vender a caixa a R$ 12,00, se a fruta for de boa qualidade. “Mas eles representam apenas 15% do total de citricultores”, relativiza.

Para tentar salvar os produtores da falência, o sindicato espera que, novamente, o Ministério da Agricultura intervenha com a adoção de estratégias que reduzam os prejuízos à citricultura. No ano passado, entre outras medidas, o governo federal prorrogou o prazo de pagamento de dívidas contraídas pelos produtores e fixou o preço mínimo da caixa de laranja a R$ 10,10.


Redução de mercado

Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBr), a concorrência com outras bebidas, como os isotônicos e as águas saborizadas, é apontada como a principal causa para o encolhimento do consumo de suco de laranja em todo o mundo. A crise econômica enfrentada pela Europa e Estados Unidos, no entanto, também teria colaborado para o prejuízo nas vendas nos últimos anos.

Ainda de acordo com a entidade, o suco de laranja – o preferido entre todos os tipos de sucos – responde apenas por 2,6% de todas as bebidas comercializadas ao redor do globo.

Para se ter uma ideia, os chás correspondem a 20,9% do consumo; a água, a 15,3%; o leite, a 12,8%; as bebidas carbonatadas (ou gaseificadas, que incluem refrigerantes), 12,5%; e a cerveja, a 11,2%.

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