Cerca de 300 pessoas de Bauru planejam comprar o próprio jazigo em um dos cemitérios municipais para garantir, de antemão, um lugar onde possam ser enterradas. Elas estão em uma lista de espera que, a partir desta semana, deve começar a ser extinta.
Por conta do alto número de solicitações, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) promoveu algumas alterações no regulamento das necrópoles municipais como forma de autorizar a comercialização de novos lotes para pessoas ainda em vida. Ao todo, serão disponibilizados 2.176 lotes em três cemitérios, sendo 1.460 no Redentor, 654 no Cristo Rei e 62 no São Pedro (distrito de Tibiriçá).
A expectativa é de que as novas áreas atendam à demanda de aquisições antecipadas durante os próximos cinco anos. “Mas a lista de espera que existe hoje deverá ser zerada já nos próximos seis meses”, adianta o gerente de necrópoles e funerária da Emdurb, Paulo André.
De acordo com ele, a comercialização dos lotes foi autorizada na última sexta-feira, quando as mudanças no regulamento foram publicadas no Diário Oficial do Município. Mas as pessoas que já fizeram requisição e estão cadastradas na lista começarão a ser chamadas para formalizar as concessões apenas na próxima semana. E terão prioridade.
Os lotes, que possuem tamanho padrão de 3 metros por 1,5 metro, custam R$ 1.341,52 no Redentor, R$ 1.117,94 no Cristo Rei e R$ 558,97 em Tibiriçá. “Os dois últimos possuem áreas ‘virgens’, que começarão a ser utilizadas agora. Já no Redentor, estamos fazendo a revitalização da área que, no passado, foi utilizada para sepultamentos assistenciais”, revela André.
Retirada de ossadas
Atualmente, os enterros custeados pela prefeitura são realizados em columbários (espécie de cemitério vertical construído acima do solo) dos cemitérios Redentor e Cristo Rei.
Por este motivo, André explica que as famílias de pessoas enterradas na antiga área assistencial do Redentor também serão convocadas para a retirada das ossadas, cuja destinação ficará sob responsabilidade dos parentes. Caso eles não se apresentarem, os restos mortais serão encaminhados ao ossuário da prefeitura.
Para iniciar a comercialização dos novos lotes, a Emdurb já está promovendo melhorias no local, como construção de ruas e calçamento interno. A longo prazo, existe ainda o plano de aumentar a altura do muro naquele trecho. Assim que a concessão do espaço for autorizada, o responsável terá prazo de 30 dias para construir o jazigo, obedecendo aos padrões exigidos pela autarquia.
André explica que nunca houve falta de espaço para a realização de sepultamentos imediatos. Isso porque, de acordo com ele, os cinco cemitérios municipais de Bauru já contam com 13.650 jazigos.
“Hoje, apenas 5% das cerca de 130 pessoas que morrem por mês em Bauru são de famílias que não possuem jazigo. Nunca aconteceu de uma pessoa falecer e ficar sem ter espaço para ser sepultada”, pondera.