Regional

Sede da Câmara pode virar hospital

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

O prédio de dois pavimentos que está sendo construído no Centro de Agudos (13 quilômetros de Bauru) para abrigar a nova sede da Câmara poderá ser destinado à instalação de um novo hospital. A proposta, que conta com apoio dos vereadores e do prefeito Everton Octaviani (PMDB), foi apresentada ao governo federal na semana passada.

O terreno onde o imóvel está sendo erguido tem 2,4 mil metros quadrados e foi comprado em 2010 pelo então presidente da Casa Nelson Assad Ayub (PP) por R$ 237 mil. Em 2011, a ex-presidente Neusa Vicente (PPS) publicou o edital de licitação e uma empresa foi contratada para executar a obra, orçada em R$ 4 milhões, que já está 50% concluída.

Desde aquela época, o vereador Auro Octaviani (PMDB), hoje presidente da Câmara, questionava a obra, chamando-a de “faraônica” e “desnecessária”. Com anuência dos demais vereadores e apoio do prefeito, ele decidiu disponibilizar o espaço para que o governo federal instale um hospital regional de média e alta complexidade, com leitos de UTI.

“A Câmara anterior queria fazer um prédio e começou a gastar uma fortuna. E eu achava que era um dinheiro muito mal aplicado. Só de móveis, me passaram um orçamento de R$ 400 mil”, conta. “Quando eu assumi a presidência, não achei coerente terminar um prédio que eu sempre chamei de faraônico para fazer a mudança da Câmara”.

No último dia 11, uma comitiva composta pelo prefeito, pelo vice-prefeito Altair Francisco da Silva (PMDB) e por dez parlamentares, incluindo o presidente da Casa, foi até Brasília para levar a proposta ao Ministério da Saúde e pedir apoio para tirar o projeto do papel. O grupo foi recebido pelo assessor do ministro Alexandre Padilha, Carlos Jorge Martins.

No sábado, dia 21, às 14h, um agente da pasta visitará Agudos para vistoriar a obra e apontar as adequações necessárias no prédio. “Nossa ideia é implantar um hospital federal, de alta complexidade, tendo em vista a carência deste tipo de atendimento em nossa região e a vontade do ministro Alexandre Padilha em melhorar a situação”, ressalta Everton.

“A Câmara Municipal tem totais condições de fazer esse rearranjo em benefício da população. Havendo disponibilidade financeira, mudamos para um outro prédio. Vale destacar que nossa proposta com esse hospital é que toda a manutenção e custeio sejam do governo federal, o que não impactaria outros investimentos públicos no município“, declara Auro.


A proposta

O prefeito defende a implantação em Agudos de um hospital chamado “porta-aberta”, ou seja, voltado ao atendimento da população de toda a região. Ele seria equipado e mantido com recursos federais e contaria com média de 100 leitos. De acordo com ele, a construção do prédio onde ele poderá ser instalado deve estar concluída até julho do ano que vem.

“É possível também que a Fundação Regional (de Saúde), criada recentemente em Bauru, e da qual Agudos fará parte, seja a gestora”, revela. “Mas a nossa preocupação é que esses 2 mil metros quadrados de construção que a Câmara teria sirvam para cobrir esse déficit de vagas em UTIs e de leitos em determinadas especialidades”.

Everton ressalta a importância da parceria com a Prefeitura de Bauru pela demanda que a cidade apresenta no setor e diz que já conversou com o secretário de Saúde, Fernando Monti. “O que nós queremos é que haja realmente uma integração e que nós, juntos, possamos resolver esse problema que não é de Agudos, não é só de Bauru, e sim de toda a região”, diz.

O prefeito explica que o prédio da nova Câmara já foi avaliado por um médico da região especialista em montagem de hospitais, que apontou a necessidade de algumas adaptações. “Haverá um projeto de adequação para o hospital”, afirma.

O Ministério da Saúde disse ontem por meio de sua assessoria de imprensa que não poderia se manifestar por não ter recebido documento formal sobre a proposta.

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