Para evitar o excesso de economês nas análises econômicas e visando auxiliar os agentes econômicos a entenderem o ambiente econômico, traçando, inclusive, cenários, uma das formas é analisar a chamada equação da geração de riqueza, ou equação da Renda Nacional. A equação é: Y = C + I + G + X - M. Vamos entender as variáveis. Y é a Renda Nacional. C é o Consumo das famílias. I são os investimentos. G representa os Gastos do Governo. X são as exportações de produtos. M representa as importações de produto. Esta equação permite avaliar a geração da riqueza nacional pelo lado da demanda. Assim, se queremos saber quanto foi gerado de renda em um determinado período, é só somar o Consumo das Famílias, com os Investimentos efetuados, mais os Gastos do Governo, mais o que o País exportou líquido (exportações menos importações).
Vamos analisar cada variável separadamente. O consumo das famílias depende de dois importantes fatores: renda e crédito. Se a renda destas famílias cresce ou as famílias se sentem seguras quanto à manutenção da renda futura, elas acabam consumindo mais. Mesmo sem renda, mas se o crédito é abundante e barato, muitas famílias antecipam o consumo e saem às compras. Quando o ambiente é de incertezas há natural retração por parte das famílias. Também temos um complicador neste momento que é a elevação dos juros para controlar a inflação. Isso sem falar no endividamento elevado das famílias. Assim, podemos concluir que o crescimento da riqueza interna não virá com muita força por esta variável, tendo somente uma elevação quando chegar o décimo terceiro salário e com ele elevar o apetite do consumidor.
A variável Investimentos é a mais desafiadora. Investimentos elevados garantem geração forte de riquezas, inclusive com eliminação de gargalos importantes notadamente em infraestrutura. Investir depende de sobras de recursos públicos, o que não há, e de apetite do setor privado que neste momento está com seu nível de confiança muito baixo. O Brasil opera em níveis baixos nesta variável e não há nenhum indicativo de mudanças substanciais no curto prazo. Resumo: esta variável não fará a diferença neste período.
Os gastos do governo continuam elevados. Ele é capaz de gerar demanda, contudo, sem a devida qualidade. Para dar respostas ao mercado o governo federal será obrigado a demonstrar sua capacidade em economizar, portanto, é outra variável que não puxará a renda do País. Restou o setor externo da economia. O Brasil exporta puxado pelas commodities alimentícias e metálicas, que são produtos de baixo valor agregado. Importa produtos com elevado valor agregado. A conta não fecha. Isso indica que o saldo líquido do comércio exterior, mesmo com um câmbio favorável às exportações, não será o fator propulsor do crescimento da economia. Observem que a sinalização não é de forte geração de riqueza. Não adiantam projeções estratosféricas sem nenhum embasamento técnico.
Além de todas estas variáveis, estamos a pouco mais de um ano das eleições presidenciais. E o governo, em meio à pressão por oferecer indicadores econômicos mais favoráveis, conviverá com pressões políticas e tendo que ter um comportamento politicamente correto, evitando qualquer deslize.
O crescimento da economia virá pela sua própria inércia e até mesmo pela força financeira do Estado, mas a conta será paga logo em seguida. Em outras palavras: cresceremos, haverá um esforço enorme para demonstrar que tudo está sob controle, mas passado o momento mais agudo das eleições a conta a ser paga virá e virá elevada. Sem pessimismos, mas dentro de uma visão realista cada um faça a lição de casa analisando o cenário e impactando em seus negócios e na vida pessoal. O momento é de reflexão.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC