Geral

Árvores suprimidas não são repostas e atitude fica impune

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Duas árvores retiradas no Centro acabaram com a sombra que protegia um grupo de taxistas

Apenas nos primeiros oito meses do ano, as calçadas de Bauru perderam 555 árvores. Por lei, todas elas deveriam ser repostas, mas, devido à falta de fiscalização, nem sempre a exigência é cumprida. Uma realidade preocupante para a data de hoje, quando é comemorado o Dia Mundial da Árvore.

Em vários bairros, não é difícil detectar espaços antes ocupados por árvores e que, agora, estão vazios. De acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), a retirada e substituição de uma espécie suprimida com autorização da pasta deveriam ser efetuadas no prazo máximo de 30 dias.

Em caso de descumprimento, a multa é de cerca de R$ 500,00. Mas a própria secretaria reconhece que não dispõe de funcionários em número suficiente para realizar as autuações. Para se ter uma ideia, o primeiro agente de proteção ambiental foi contratado há apenas um mês para desempenhar esta função específica.

Ele é o único e ainda acumula as fiscalizações sobre poda drástica, supressões não autorizadas de árvores, disposição irregular de resíduos sólidos e caçambas, entre outros. De maneira informal, quatro engenheiros e biólogos também auxiliam no trabalho, quando saem às ruas para executar outros serviços.

“Para começar a fazer a fiscalização de maneira efetiva, precisaríamos de uma equipe de, no mínimo, dez agentes. Mas as contratações não têm prazo para acontecer”, observa o secretário em exercício e diretor do departamento de ações e recursos ambientais da Semma, Paulo André Zuwicker Yamamuro.

Sem contar com fiscais, a secretaria depende, essencialmente, do recebimento de denúncias para multar os infratores. Mas o número ainda é pequeno. De janeiro a agosto deste ano, foram apenas 12 autuações, média de duas punições a cada três meses em toda a cidade.

“Quando as denúncias chegam, usamos até o Google Street View para comprovar que havia uma árvore no lugar”, comenta Yamamuro. Quando os responsáveis são multados, é dado prazo para o replantio e, em caso de desobediência, aplicada multa em dobro.


Desrespeito explícito

O que se vê nas calçadas é o explícito descumprimento da lei. Em uma rápida volta pela cidade, a reportagem verificou ao menos três lugares onde árvores foram abatidas e não repostas dentro do prazo.

Um exemplo são duas grandes seringueiras que foram suprimidas há seis anos na rua Joaquim Fernandes Egea, na Vila Cardia. Os exemplares precisaram ser retirados porque ameaçam a estrutura subterrânea de imóveis próximos, mas nenhuma árvore foi plantada no local desde então.

Na rua Júlio Maringoni, na Vila Samaritana, outras quatro árvores foram abatidas sem a devida substituição. Os espaços de terra para o plantio continuam lá, mas sem a presença de qualquer nova muda.

Na rua Hermínio Pinto, no bairro Higienópolis, a mesma situação. Uma seringueira antiga foi arrancada há cerca de dois meses e ainda não foi reposta. No mesmo bairro, na rua Conselheiro Antônio Prado, uma sibipiruna que caiu no início de 2011 após um forte vendaval também não foi substituída e continua apenas com a base do caule e as raízes fincadas sob a terra.


Primavera

A primavera terá início às 17h44 deste domingo, dia 22. De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru, com a chegada da nova estação, há uma mudança no regime de chuvas e temperaturas.

Na região de Bauru, as chuvas passam a ser mais intensas e frequentes, marcando o período de transição entre a estação seca e a estação chuvosa.

Durante a primavera, têm início as pancadas de chuva no final da tarde ou à noite, devido ao aumento do calor e da umidade que se intensificam gradativamente no decorrer dessa estação. Em algumas ocasiões, podem ocorrer raios, ventos fortes e queda de granizo.


Em 8 meses, um bosque

De 1.086 pedidos de supressão de árvores, 555 foram autorizados nos primeiros oito meses de 2013, em Bauru. É como se um Bosque da Comunidade inteiro, que possui cerca de 500 plantas, tivesse desaparecido da cidade entre janeiro e agosto.

Os números, entretanto, consideram somente as espécies abatidas com autorização da Semma, que possui apenas um agente para fiscalizações. Por este motivo, o volume de árvores derrubadas irregularmente, embora não possa ser calculado, pode ser ainda maior do que o abrangido pelas estatísticas oficiais.

Comentários

Comentários