Após seu primeiro meio ano no mandato, o papa Francisco realizou suas primeiras mudanças na Cúria romana, o “governo do Vaticano”, indicou ontem a Santa Sé. As mudanças devem desagradar tanto conservadores quanto liberais.
Na dança das cadeiras, foi removido da Congregação para o Clero o cardeal ultraconservador Mauro Piacenza e promovido Beniamino Stella, que até agora era o responsável pela chamada “Escola de Núncios”. Stella terá entre suas tarefas a de reverter a escassez de padres na maioria dos países ricos e a de lidar com a pressão pelo fim do celibato.
Piacenza foi nomeado Penitenciário-Mor - o responsável por um tribunal eclesiástico que lida com confissões de pecados cuja absolvição pode ser dada apenas pelo Papa.
Francisco manteve o arcebispo conservador alemão Gerhard Mueller como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Indicado por Bento 16, ele dirige as ações da Santa Sé contra freiras liberais dos Estados Unidos. Mueller também é o responsável pela política da Igreja em resposta a casos de abuso sexual - seu mandato foi visto pelos críticos como condescendente com os padres acusados.
Lorenzo Baldisseri, até agora Prefeito da Congregação para os Bispos e que foi secretário do último conclave, foi nomeado para liderar o Sínodo dos Bispos. Ele substitui o croata Nikola Eterovic, designado Núncio Apostólico na Alemanha. Ao trocar o responsável pelos sínodos, as reuniões ocasionais onde bispos discutem questões de orientação ou regionais, Francisco tem a oportunidade da aplicar sua visão do papel dos bispos no processo de decisão da Igreja.