Tribuna do Leitor

Sinhô


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Sr. Fernando Lucilha Júnior:
quero dizer que gostei de sua carta. Quem dera tivesse uma dessas por semana para lembrar cantores e compositores que já se foram para outro plano, ou que já não fazem mais sucesso. Que valorizavam as mulheres assim: "mas o homem, com toda fortaleza, desce na nobreza e faz o que ela quer". Lembro-me que na minha infância/adolescência e até juventude, os maiores sucessos do rádio, quase que 60%, eram composições de Evaldo Gouveia e Jair Amorim.

Quantos cantores ficaram ricos com as músicas desta dupla. E quem fala deles hoje em dia? Só não concordo quando disse que vive num país sem memória cultural. Eu digo que vivemos num mundo sem memória cultural, pois não acredito que nas rádios da Argentina ainda toque Carlos Gardel. Tão pouco na Itália ainda toque com frequência Sergio Endrigo, Bobby Solo ou Rita Pavone. Na inglaterra ainda de lembram dos The Beatles? E nos Estados Unidos, ainda tocam Frank Sinatra ou Elvis Presley?

Até onde eu sei, Elvis Presley entrou em depressão profunda que o levou à morte porque não era mais reconhecido nas ruas. E na França ainda tocam Adamô, Christophe, Alain Barrieri, Edith Piaf? Não creio! Portanto, é a humanidade que mudou. E pasme: a cantora italiana Mafalda Monozzi colocou "pancadão" em suas músicas para atrair o público jovem. É isso mesmo. Pancadão na música romântica.

Infelizmente é assim. Tenho um pen drive com aproximadamente 4.000 músicas que só eu ouço. Adoraria poder tirar os fones de ouvido e compartilhar, mas... quem pararia tudo o que está fazendo, por meia horinha, para ouvir comigo "Uirapuru, uirapuri, seresteiro cantador do meu sertão" ou "Io che non vivo piu di un?ora senza te" ou "Je t?aime moi non plus", e outras... tantas outras... Tudo mudou. Tudo está muito diferente! Parabéns, Fernando, por sua carta.


Sônia Zonta Alberto

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