Bauru, que ao longo de sua história abriga um celeiro de poetas, escritores, memorialistas, historiadores, pintores, escultores e artistas em diferentes áreas da cultura (o que me impede em tentar nomeá-los para não ser injusta no esquecimento de algum nome), é berço de um dos mais completos intelectuais que conheço: Walther Mortari. Este bauruense, um pequeno grande homem, abriga em seu íntimo muitos dons. É o pintor da Bauru que amamos, com suas telas históricas nas quais retrata os grandes acontecimentos do nascimento de nossa cidade, também registra com seus pincéis paisagens atuais e pontos importantes que seleciona aleatoriamente.
Como se não bastasse, é escultor de pequenas peças, bem como do imenso São Francisco de quatro metros de altura que fica em sua chácara, em Quilombo. Conta ele que aprendeu a dominar esta arte com o escultor Lélio Colussini. E à pintura e à escultura foram agregadas outras formas de arte, como a poesia. Aqui faço uma pausa para citar um trecho do poema "Para Mudar", de sua autoria: "Pendurei meu pincel no cabide do tempo// como se fora velho casaco puído// já farto de tantas esfregadas e lidas// e cansado de servir calado// a mão fugaz de todas as tendências..." E a crônica veio junto ao pacote literário deste artista completo.
Nasceu então o livro "Reminiscências", com a apresentação de José dos Santos Laranjeira, conhecido professor do Departamento de Artes da Faac ? Unesp e prefaciado por mim, Josefina de Campos Fraga, membro da Academia Bauruense de Letras. Para completar, Walther Mortari, que também integra a ABLetras como Membro Honorário, é conhecido e premiado em todo Brasil por suas participações em exposições individuais e coletivas. Suas obras também integram múltiplas coleções particulares no Brasil e no exterior, bem como figuram em pinacotecas de outros países, como Estados Unidos, Alemanha, Israel, Suriname e Guiana Francesa, entre outros.
E como surpresa, na comemoração dos seus noventa anos, em 14 de setembro, Mortari brindou os seus convidados com pequenos cartões ilustrados com suas telas e, surpreendam-se: - cada casal presente recebeu um acróstico formado com as letras de seus nomes! Walther Mortari, rendo-me ao seu carisma, à sua lucidez e agradeço por sua amizade. Você é meu tipo inesquecível! Com o carinho de sempre, um abraço da Jô.
Josefina de Campos Fraga