Regional

?Parecia um dilúvio?, relata moradora

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Éder Azevedo

Cobertura da rodoviária foi derrubada pela força do vento do tornado que atingiu Taquarituba

Menos de cinco minutos bastaram para transformar a pacata Taquarituba (200 quilômetros de Bauru), com população estimada em 30 mil habitantes - em um verdadeiro cenário de guerra. No dia seguinte ao tornado que arrasou a cidade, equipes de municípios vizinhos do Corpo de Bombeiros, da Companhia de Força e Luz (CPFL), da Policia Militar, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), da Defesa Civil da Capital, além de voluntários e funcionários da própria Prefeitura Municipal estiveram nos pontos atingidos prestando todo tipo de auxílio.

Ainda na manhã de ontem, o prefeito de Taquarituba, Miderson Zanello Milleo (PSDB), decretou estado de calamidade pública, em virtude dos estragos causados, principalmente, nos bairros Santa Virgínia, BNH e Distrito Industrial, que deixaram duas pessoas mortas, duas em estado grave, 64 feridos leves e 264 famílias desalojadas, segundo levantamento parcial feito pela prefeitura.

Márcia Fernanda de Oliveira diz que ficou impressionada com a força da ventania

“Foi como uma cena de um filme americano. Um cenário desolador tomou Taquarituba. Em 30 anos em São Paulo e em 57 anos de vida nunca havia visto nada desse tipo. Já tínhamos passado por ventanias, mas nada como isso. É muito triste ver tudo aquilo no chão”, lamenta o prefeito da cidade.

De acordo com Milleo, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Meteorológicas (Inpe) estiveram na cidade e disseram que o fenômeno teria atingido uma velocidade de superior a 150 quilômetros por hora.

O evento ocorreu às 15h45, segundo registros da Defesa Civil do Estado e, segundo o prefeito, o poder público não teria sido alertado.

O JC esteve em Taquarituba e acompanhou de perto o primeiro dia de trabalho. Várias equipes distribuídas entre o Centro e duas das principais avenidas de Taquarituba trabalhavam na retirada de escombros dos pontos atingidos.

Na avenida Capitão Eugênio Gabriel, a rodoviária da cidade ficou em ruínas. Alguns minutos antes do tornado um ônibus passou pelo local e levou os últimos passageiros. Escolas, igreja, posto de combustível, lojas e até mesmo o fórum da cidade teve a estrutura danificada pelos ventos.

Na avenida Dorival Dognani, onde se concentra as 38 indústrias da cidade - armazenagem de grãos e derivados -, sobrou apenas ruína. Os tonéis com mais de três mil toneladas de soja ficaram destruídos e empresários estimavam prejuízos na ordem de mais de R$ 20 milhões.

 

Motorista Jamil Francisco da Silva morreu prensado nas ferragens do ônibus

Duas mortes

Na edição de ontem, a informação preliminar era de que quatro pessoas haviam morrido na tragédia. Entretanto, conforme o JC apurou no local, duas pessoas, que não tiveram a identidade divulgada, passaram por cirurgias e permanecem internadas em estado grave na Santa Casa de Taquarituba.

Edson Mateus Pereira, de 21 anos, estava dentro de um ginásio esportivo destruído pelo vendaval quando foi atingido na cabeça pelas estruturas metálicas que caíram e não resistiu.

Já a segunda vítima fatal, Jamil Francisco da Silva, de 54 anos, era motorista de um ônibus de viagem que realizava o cruzamento da SP-255 no momento do tornado.

 

O veículo chegou a rodopiar na pista, segundo testemunhas, e acabou lançado a uma distância de aproximadamente 30 metros do cruzamento, parando tombado no terreno de uma construção. 


Tudo destruído

“Parecia um dilúvio. O telhado da minha casa caiu e, quando saímos para a rua, vimos tudo destruído. Corremos para a rodoviária e a avenida estava um caos, muitas pessoas desesperadas e chorando, principalmente, próximo a quadra onde o rapaz morreu”, conta a secretária, Márcia Fernanda de Oliveira, 48 anos.

A mesma cena é descrita pela família Sia. “De repente acabou a força e uma chuva de pedras começou a quebrar as janelas da casa. Logo depois, a laje começou a cair. Achei que fosse morrer”, conta o morador Éderson Sia, que contava com a ajuda do irmão Emerson Sia, 42 anos, e da cunhada Andreia Sia para a retirada dos escombros do imóvel. 

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