Polícia

Mulher é morta com facada no coração

Por Vitor Oshiro | Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Uma calçada sem pavimentação no bairro Ferradura Mirim, em Bauru. Era lá que estava o corpo de Ana Inês Ambrózio Faustini, 41 anos. Mesmo após ser atingida com um golpe de faca no coração, a mulher conseguiu caminhar por uma quadra antes de morrer. O rastro de sangue na via refazia o trajeto da 25ª vítima fatal da cidade.

Na última sexta-feira, um homem, também esfaqueado, caminhou do mesmo modo pela rua a procura de ajuda antes de morrer na região do Geisel. Coincidência? Pode não ser bem assim. A polícia não descarta uma ligação entre os casos.

De acordo com o boletim de ocorrência (BO), o corpo de Ana Inês foi visto por pedestres por volta das 1h50 da madrugada de ontem na quadra 8 da rua Jorge Schnneyder Filho. A Polícia Militar (PM) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados.

Já no local, foi constatado que a mulher já estava morta. Uma testemunha, que ouviu um grito de socorro, relatou que viu o momento em que Ana Inês cambaleava pela rua em seus últimos passos.

Sem documentos, foi difícil realizar a identificação da vítima. Tanto que o primeiro registro policial foi feito com o nome errado. “Ela foi reconhecida por dois irmãos mais tarde”, relata Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais da Central de Polícia Judiciária (DIG/CPJ).

O delegado revela que as suspeitas são de que o crime tenha ocorrido na quadra 9 da mesma via. É para onde o rastro de sangue aponta. “Suspeitamos que o golpe fatal tenha sido desferido por ali. Ela morava naquela quadra com um convivente”, pontua.

Nem a arma usada no homicídio e tampouco qualquer outro objeto foram apreendidos no local. Por isso, o trabalho das investigações se subsidiará no perfil da vítima. “Ela não possuía ocupação e já tinha passagens por tráfico de drogas. Havia saído recentemente do sistema prisional”, complementa o delegado. Segundo o que o JC apurou, a vítima também já respondeu por furto.


Coincidência?

“Em uma investigação, não podemos acreditar em coincidências”, afirma Kleber Granja. A colocação é pelo fato de Ana Inês Ambrózio Faustini ter tido um relacionamento no passado com Márcio Rogério Batista de Jesus, 35 anos.

Marcinho, como era conhecido, foi assassinado também com uma facada na última sexta-feira em uma casa abandonada no Jardim das Orquídeas, região do Núcleo Geisel. “É uma hipótese que não descartamos”, revela o delegado.

No homicídio de Marcinho, Renato Lopes Balarin, 30, foi preso. “Não acredito em uma ligação de autoria entre os crimes, mas sim de testemunhas. Sabemos, inclusive, que a Ana Inês frequentava a biqueira em que Marcinho foi esfaqueado”, destaca Granja.

A investigação está apenas no início e a polícia ainda não possui suspeitos. “Pode ter sido uma divergência pelo consumo de drogas. Mas também pode ser algo passional. Iremos apurar”, finaliza o delegado.


25º homicídio

De acordo com levantamento extraoficial do Jornal da Cidade, Ana Inês Ambrózio Faustini é a 25ª vítima de assassinato em Bauru este ano. Conforme já citado, a morte anterior foi de Márcio Rogério Batista de Jesus, 35 anos, também esfaqueado. Os dois casos podem ter ligação.

É o terceiro homicídio de setembro. Na madrugada do dia 8, Mario Julio Cursino dos Reis, 19 anos, morreu após levar um tiro na cabeça em uma festa de funk e música eletrônica realizada na quadra 7 da rua Rio Dourados, na Vila Aimorés. Leandro Luiz da Silva, 21 anos, foi preso logo após o crime.

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