Recentemente estive na cidade de Goiânia, jovem Capital de Goiás, com apenas 79 anos de sua fundação, com os seus 1,4 milhão de habitantes, e ainda influenciados por outros 800 mil habitantes da região metropolitana. Percebi um trânsito quase que caótico, apesar da suas grandes e arborizadas, diga-se, avenidas. E o que dizer então de uma metrópole como São Paulo, fundada há 459 anos, e com os seus mais de 12 milhões de habitantes, que, juntando-se com os da região metropolitana, perfazem os incríveis 22 milhões de habitantes?
A Capital Paulista, provando que não se preparou nestes quase cinco séculos de sua fundação, tem hoje apenas 74,3 km de linhas de metrô, e aproximadamente 80 km em construção (incluindo monotrilhos) ou em fase final de projeto, sabendo que por especialistas da área seriam necessários já, para atender a forte demanda, 264 km deste importante meio de transporte urbano. Não é outra se não esta a razão da insatisfação dos usuários de transporte público em São Paulo, porque perdem em média 3 horas por dia no trânsito para principalmente ir e voltar do trabalho. E os milhares que se utilizam de seus veículos particulares (frota de 5,5 milhões) também são sacrificados nos constantes congestionamentos, mesmo porque não se habilitam se humilhar na espera dos lotados ônibus, ou dos metrôs que já não suportam mais passageiros, tal o tamanho da demanda. E é bom lembrar que a Grande São Paulo, além do metrô, é servida por 240 km de trens interurbanos. Ou seja, não é pouca coisa, e mesmo assim o caos continua...
O que nos espera lá na frente, sabendo que o planejamento urbano é palavrão para os nossos dirigentes públicos, quando temos no País 300 cidades com mais de 100 mil habitantes, e destas, 21 cidades com mais de 500 mil habitantes?! E se os investimentos em transporte público não forem priorizados, principalmente com a construção de metrôs, monotrilhos ou VLTs, com a expansão cada vez maior da nossa frota de veículos nas ruas, será insustentável se locomover e produzir neste País. A construção dos corredores de ônibus ajuda a quebrar o galho do usuário, mas desestrutura a já difícil circulação dos veículos particulares. Porque o cobertor do espaço viário é curtíssimo...
Essa dramática situação do transporte público nas grandes cidades prejudica o crescimento da nossa economia, encarece o custo da produção e diminui o ritmo dos investimentos.
É uma cadeia perversa, porque o lazer e o turismo em geral também são afetados! Isso sem falar que milhares de estudantes desistem de seus cursos porque como trabalhadores que são na sua maioria precisam estudar à noite, e com o trânsito infernal não suportam o estresse!
Hoje o Brasil tem uma frota de 40 milhões de veículos, ou seja, um para cada cinco habitantes. Em São Paulo, a relação já é de um para cada dois habitantes, assim como em muitas cidades do País. Não vai demorar muito para atingirmos os índices europeus de 1,9 e nos EUA 1,6. E para piorar a nossa situação de trânsito, temos uma gigantesca frota de 12 milhões de motocicletas, que não para de crescer... Isto posto: não {a toa que nas manifestações das ruas de junho deste ano, além da corrupção reinante, o povo clamou pela urgente melhoria do transporte público. E parece que a maioria dos políticos sem vocação para tal não está dando os merecidos ouvidos...
Paulo Panossian