Fotos/Malavolta Jr. |
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O pároco Júlio Machado diz que a reclamação dos fiéis motivou as contratações |
Uma cadeira ao canto da porta e uma pessoa vestida de preto perambulando de forma atenta pela igreja enquanto dezenas de pessoas rezam. Fiéis e frequentadores do Santuário Nossa Senhora Aparecida convivem com a presença, um tanto quanto inusitada, dentro do ambiente religioso: dois seguranças particulares contratados pela paróquia.
O investimento, conforme explica o pároco Júlio César Machado, seria motivado pela reclamação dos próprios fiéis quanto à violência e insegurança após o crescimento da mendicância no entorno da igreja.
Na tentativa de evitar o afastamento de devotos, o responsável pelo santuário ainda diz ter antecipado o horário das missas em até meia hora, três dias da semana, para que os fiéis possam chegar para a missa sob a luz do sol.
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Santuário Nossa Senhora Aparecida; presença da segurança evitou o roubo a uma fiel |
“A violência não nos deixa escolha. Aqui é o Centro da cidade e o comércio das redondezas tem sofrido com roubos. Como a área é comercial, fica isolada aos finais de semana e aqui é escuro. As pessoas reclamavam da insegurança. A contratação visa dar qualidade nas orações. Queremos que o fiel sente-se no banco da igreja sem se preocupar em olhar para trás ou para sua bolsa ou carteira”, comenta.
O padre, entretanto, nega que a igreja tenha sofrido com saques ou furtos nos últimos três anos e meio – tempo em que está à frente da paróquia – e aponta apenas a sensação de insegurança dos devotos como motivo para a contratação.
“A maioria dos nossos devotos são pessoas idosas, que usam ônibus e vêm de longe. Com a insegurança, algumas acabam se fechando em casa. Não queremos que as pessoas se afastem”.
Evitou
Apesar disso, o padre Júlio Machado revela que a presença da segurança no local, inclusive, já evitou um roubo a uma fiel há cerca de três meses.
Na ocasião, conforme o JC apurou, um homem armado com um revólver de brinquedo teria entrado no local e ameaçado uma mulher, mas acabou detido por um dos seguranças contratados.
“A insegurança está em todo lugar. Já tivemos casos de pessoas entrarem mal intencionadas”, completa o padre.
A contratação, segundo ele, foi feita diante da manifestação de apoio aos fiéis frequentadores. “Tudo é pago com o dinheiro do povo doado à paróquia”, ressalta.
PM: ‘Violência é mais presumida que real’
O oficial de relações públicas do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Fabiano Serpa, afirma que a PM conhece a situação no local e tem agido, contudo, aponta que a violência no local é presumida pelos fiéis e que a igreja poderia colaborar mais.
“Realizamos diversas operações naquela praça, até mesmo em conjunto com a Sebes (Secretaria Municipal do Bem Estar Social). A situação é causada por conta da proximidade com o albergue e o terminal rodoviário e acontece há alguns anos. O problema é que o pessoal, geralmente, não aceita ajuda. A igreja também poderia contribuir mais nesse sentido. Até porque o problema não será resolvido colocando segurança da porta para dentro”, afirma o capitão.
Sobre a onda de violência que acometeria a região, o capitão é enfático. “Essa violência é mais presumida do que real. Na maioria das abordagens policiais não encontramos drogas nem algo ilícito. Não temos direito de proibir as pessoas de ir e vir”, conclui.
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A segurança é feita todos os dias desde a abertura da igreja até o final da última missa |
Revezamento
Contratados há oito meses pelo santuário, os dois profissionais de segurança trabalham em esquema de revezamento: 12 horas de trabalho por 36 de descanso, todos os dias da semana.
Isso permite que a segurança seja realizada em tempo integral, ou seja, desde o momento em que a igreja abre as portas ao público, às 9h, até o final da última missa, às 21h.
Os seguranças possuem uma cadeira na porta da igreja, mas passam a maior parte do tempo perambulando.
“Hoje tudo está mais em paz, mas já cheguei a pegar uma pessoa mexendo no local onde são depositadas as ofertas dos fiéis”, relata um dos seguranças da unidade, José Carlos da Silva, 30 anos.
Além do investimento e da segurança particular, a paróquia também recebeu ajustes no horário das missas realizadas em dias de semana, que foram antecipadas em meia hora.
Às segundas, terças e quintas, o horário de início mudou das 19h30 para as 19h. Questionado sobre o resultado da alteração, o padre abre um sorriso e responde: “Meia hora a menos fez diferença sim. Ainda mais agora que está chegando o Horário de Verão, em que as pessoas voltam para casa com o céu ainda claro”.
Mendicância
Outro motivo que, conforme o padre, fez com que a igreja investisse em maior segurança aos fiéis estaria no aumento da mendicância na praça Washington Luiz, onde a igreja está situada.
“Parte desse pessoal que fica na praça vive pedindo dinheiro e isso incomoda, não só os fiéis, mas quem frequenta a região aqui. Há uma ideia de que no meio dessas pessoas pode haver alguém mal intencionado, o que cria certa tensão. Apesar disso, nunca registramos nenhum problema com eles”, avalia o padre Júlio.
O cenário é reforçado pelo sorveteiro Edézio Morgar, 66 anos. “Vira e mexe tem briga e eles tacam pedra. Vivem pedindo sorvete de graça, mas a gente leva na boa, até porque se contrariar fica complicado”, comenta. Sobre a postura da igreja frente à situação, o padre reconhece que os fiéis cobram atitudes, mas acrescenta que o fato de a praça não ser de responsabilidade da igreja dificulta qualquer ação.
“Como a praça não é nossa, não temos o que fazer. O que nos cabe é isso, mudar o horário da missa e contratar segurança para que as pessoas se sintam mais aliviadas e protegidas”, conclui o pároco.
A reportagem do JC esteve no local ontem à tarde, mas não encontrou nenhuma pessoa em situação de mendicância na praça.
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A fiel Geralda de Oliveira considera que a segurança “foi uma boa” |
‘Agora posso rezar tranquila’
A devota de Nossa Senhora Aparecida, Geralda Maria de Oliveira, 57 anos, esteve ontem à tarde no santuário. Questionada sobre as medidas tomadas pela igreja ao longo dos últimos oito meses, a fiel afirma que concorda com a contratação.
“Esse pessoal nunca me incomodou, mas sempre fica aquela tensão quando pedem dinheiro. Gostaria de frequentar a igreja à noite, mas sempre tive medo. Com o segurança na porta, posso rezar mais tranquila”, opina.
Dia da Padroreira tem ampla programação
No dia 12 de outubro, data oficial em que se comemora o Dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, o santuário receberá centenas de fiéis para um dia inteiro de celebrações, com missas, procissão e carreata que percorrerá alguns bairros da cidade.
“Celebrar Nossa Senhora é uma demonstração de amor ao próximo. É celebrar alguém que foi fiel aos ensinamentos de Deus, um exemplo de fé, coragem, esperança, humildade e serventia”, elenca o padre Júlio Machado.
As festividades do Santuário, entretanto, começam antes da data oficial. Do dia 3 de outubro ao dia 11, haverá várias missas em horários que vão das 18h às 19h30.
Antecipando a famosa quermesse, um show de prêmios que será realizado às 20h do dia 4 de outubro premiará vários sortudos com equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos.
No dia 5, a partir das 20h, terá início a tradicional quermesse do santuário, com barracas de churrasco, milho verde, doces, pastéis, sorvetes, frango assado, batata frita, entre outros.
A festa segue até o dia 20 de outubro. No dia da padroeira, as barracas começam as atividades a partir das 6h.
Serviço
Para mais informações: (14) 3202-9031. O Santuário Nossa Senhora Aparecida fica na quadra 4 da rua Araújo Leite, na praça Washington Luiz.


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