Bem poucas vezes li um artigo de um estudante, sobre um assunto polêmico, com tal propriedade de conhecimentos, com a do Fabio G. dos S. Maria, edição do JC de anteontem. Na maioria das vezes, a questão da preservação de patrimônio histórico e cultural provoca uma rejeição gratuita, porque as pessoas não entendem o seu verdadeiro significado. Há pouco tempo acompanhei o debate sobre a questão dos símbolos, sem que ninguém se preocupasse com a fundamentação teórica e científica que justifica a criação dos símbolos. A maioria dos artigos demonstra total ignorância sobre a Simbologia, assim como os responsáveis pela escolha daquela representação esdrúxula.
Fabio, quando fomos escrever o livro, para a 3ª série primária, "Bauru, nossa História na Escola" ? 1992, aliás, o 2º livro deste tipo no Brasil (o 1º é da cidade de São Paulo), um de seus capítulos deveria ser sobre os símbolos bauruenses. Qual não foi nossa surpresa, quando o sr. Gabriel Ruiz Pelegrina e eu descobrimos que os símbolos representativos de Bauru não conversavam com o mundo! Não se fundamentavam na Heráldica, ciência que estuda este aspecto da vida humana. Aquela onça com o rabo reto jamais diria ao mundo que era uma onça sussuarana, porque não se enquadrava nos símbolos heráldicos. Os símbolos regulamentam este tipo de comunicação no mundo todo, como por exemplo os sinais de trânsito, você os lê onde quer que esteja.
As pessoas precisam saber que a preservação do patrimônio histórico e cultural assegura nosso lugar na sociedade global. Ninguém pode usurpá-los quando identificado a uma comunidade! Você se lembra do caso do Cupuaçu, incorporado pela indústria japonesa? Quando o Brasil provou que era um produto genuinamente brasileiro, as patentes japonesas foram mundialmente descredenciadas e recuperamos nosso produto. Mas demorou e gastou-se muito nesta peleja.
O sanduíche Bauru está protegido, mas ainda precisa de leis municipais para preservá-lo. Assim, toda e qualquer empresa de lanches, de outros lugares, nacionais ou estrangeiras que aqui se estabelecessem, deveriam compor seu cardápio com o nosso sanduíche. Isto não seria incomum, porque o McDonald para entrar na China precisou criar o McFisher, na Índia o McChiken e na França o Consomê, respeitando a cultura de cada povo. Bauru merecia um McBauru, por que não?!
Prezado Fábio, chega a ser dolorosa a falta de consciência da importância da História que cada comunidade humana constrói para si. Por isto é preciso, incansavelmente, educar formando a consciência de que preservar significa enriquecer culturalmente, assegurar espaço, propriedade e conquistar respeito, como você bem explicou em sua carta. Parabéns!
Professora Drª Terezinha Zanlochi