Não foi minha primeira vez, e acredito que muitos, por variadas razões, já tiveram que enfrentar algumas horas no Fórum. Horas que se tornaram longas, como as que tive que enfrentar, já que fui chamado como testemunha em um litígio na Vara da Família, são coisas desagradáveis que às vezes não temos como fugir.
No velho e decadente prédio, estava eu ali à disposição da lei. Observava enquanto esperava um retrato da sociedade que me é pouco comum, advogados, juízes e funcionários. Sentado ali no corredor, senti um cheiro bom de café, que vinha, não sei bem de onde, perfume mágico, que tem o poder de deixar qualquer ambiente mais agradável.
Confesso que fiquei aliviado quando alguém abriu a porta e disse que a juíza havia dispensado as testemunhas, que não precisaríamos ser ouvidos. Esperei então mais um pouco, até acabar a audiência, e íamos saindo, quando ouvi um barulho estranho, que vinha das escadas, apareceram então soldados armados e logo em seguida uma fila de três ou quatro jovens com aparência entre 19 e 20 anos, uniformizados e nos pés deles a razão do som que eu ouvira momentos antes, eram correntes que prendiam um tornozelo ao outro, além das mãos algemadas.
Fiquei angustiado ao ver jovens da idade de meus filhos e sobrinhos em situação tão deplorável, pensei então na sociedade como um todo e na degradação para que se dirige, tão mais rápido que o andar dificultoso de pés acorrentados, na falta de perspectiva de grande parte de nossa juventude, aliada, a princípio, ao fator educação, que começa em casa, nas famílias, que hoje se degeneram a qualquer pretexto. Os valores que hoje temos e os que nos deixavam indignados, assombrados, envergonhados, hoje não passam de coisas comuns, a violência, as drogas e a corrupção.
A busca do ter deixando em último plano o ser, o ser humano.
Demerval Assis da Silva