Nacional

Pesquisa vê retrocesso da formalização

Por Pedro Soares e Mariana Sallowicz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

De um modo geral, o mercado de trabalho apresentou uma melhora de 2011 para 2012, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) (veja quadro). Os destaques foram a alta do rendimento (5,8%) dos trabalhadores e queda da taxa de desemprego (de 6,7% para 6,1%).

Houve, porém, um retrocesso na formalização, com o crescimento de 2,7% dos empregados sem carteira assinada, numa tendência oposta a de anos anteriores. Já o total de trabalhadores registrados também cresceu 2,7% no período, num ritmo inferior ao que vinha ocorrendo.

Para Maria Lucia Vieira, gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ocorreu uma mudança na “tendência de forte crescimento do emprego com carteira.”

Domésticas

Por outro lado, o contingente de trabalhadores domésticos caiu 3,5%, mantendo a trajetória de períodos anteriores. Segundo Wasmália Bivar, presidente do IBGE, o dado é positivo porque mostra que essas mulheres, a maioria no setor, têm encontrado outras oportunidades de trabalho.

Em relação ao rendimento, essa categoria foi a que apresentou as maiores taxas de crescimento. No caso das domésticas com carteira assinada, a alta foi de 10,2%, enquanto a média geral foi de 5,8% entre 2011 e 2012. Já para as empregadas sem carteira assinada a expansão foi de 8,4%.


Para Bivar, o elevado custo de se manter uma empregada doméstica fez muitas famílias abrirem mão desse serviço e com o mercado de trabalho aquecido elas migraram para outros setores.

A categoria, porém, ainda apresenta o mais baixo nível de rendimento, com R$ 491,00 no caso das domésticas sem registro. A média do rendimento foi de R$ 1.507,00.


Faixa de idade

Os dados da pesquisa mostram também que o emprego para os trabalhadores com 60 anos ou mais cresceu de forma mais acentuada, com alta de 6%, acima do 1,6% do total de população ocupada.

Também cresceram acima da média as faixas de 40 a 49 anos (2,5%) e de 50 a 59 anos (2,9%). O levantamento aponta para a retenção de trabalhadores mais experientes e qualificados em um cenário de mercado de trabalho aquecido.

 Em outro movimento inverso ao de anos anteriores, cresceu a distância entre o rendimento de homens e mulheres, apesar da maior inserção delas no mercado de trabalho. O dado é mais um sinal de piora da desigualdade, já apontada pelo aumento mais forte da renda dos mais ricos.


Elas ganhavam 73,9% da remuneração de homens em 2011 e passaram a receber uma fatia menor em 2012 -72,9%. O retrocesso, segundo o IBGE, se deve ao fato de que a renda das mulheres subiu menos do que a dos homens -5,8%, contra 6,3%, respectivamente.


Uma das possibilidades para o aumento da desigualdade de renda entre homens e mulheres é que a presença delas aumentou no setor de serviços (de 59,5% em 2011 para 60,2% em 2012). A atividade paga salários mais baixos. Olhando um horizonte maior de tempo, porém, houve avanço. Em 2004, a renda das mulheres correspondia a 69,45% da dos homens. Em valores de 2012, elas ganhavam, em média, R$ 1.238,00, abaixo da remuneração masculina - R$ 1.698,00.


Uma boa notícia é que a taxa de desemprego das mulheres caiu com mais força do que a dos homens.

 

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