João Rosan |
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Presidente do Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf defende na cidade que governos “cumpram seu papel” |
Meio século após o fenômeno europeu, a chamada Revolução Industrial no Brasil começou na década de 1930 e se prolongou até 1956, marco inicial da fase de internacionalização da economia. Quase 60 anos depois, o País precisa passar por um processo de “reindustrialização”, por meio de amplas reformas. A avaliação é do empresário Paulo Skaf, que preside a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), e esteve ontem em Bauru.
Paulo Skaf aponta que a necessidade se dá em razão da perda de espaço da indústria de transformação na economia brasileira. É o setor que, justamente, garante a transformação de produtos primários em manufatura. “Essa redução foi observada nos últimos 30 anos”.
De acordo com dados do Fiesp, a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) do País já chegou a 27%. Hoje, corresponde apenas à metade disso. “Atualmente, há uma inversão disso. Nós vendemos matéria-prima para os países e compramos os manufaturados. Essa retomada da nossa indústria é que precisa acontecer”, pontua Skaf.
Para justificar a bandeira do órgão, o presidente do Fiesp frisa que o setor de transformação emprega intensivamente, agrega valor aos produtos e representa os melhores salários da indústria.
Segundo Skaf, o cenário atual e os caminhos para reversão dele não estão do lado de dentro das empresas industriais. A questão estaria relacionada à conjuntura econômica e a perda de competitividade do Brasil diante de outros países, especialmente, os emergentes.
“O custo Brasil ficou muito alto. A logística é cara, o transporte é caro, os juros são altas, a carga tributária nem se fala e a burocracia é extremamente grandes. Precisamos modernizar tudo isso. Por outro lado, a educação e a saúde oferecida aos trabalhos são precários. Isso tira a competitividade do País. Passou da hora de os governos cumprirem seu papel”, analisa Paulo Skaf.
Queda nos empregos
O cenário exposto pelo presidente do Fiesp/Ciesp se reflete também na retração do nível de emprego da indústria em todo o País.
Em agosto deste ano, o emprego na indústria de transformação recuou 0,3% em relação a julho, no Estado de São Paulo. Foi o oitavo mês consecutivo de queda, segundo o Fiesp. Nos últimos 12 meses, a queda foi de 1,48%, o que representa corte de 39.500 vagas no setor.
Dos 22 segmentos analisados, 16 demitiram, cinco contrataram e um ficou estável. A indústria de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos foi a que mais cortou vagas (queda de 2,2%), enquanto as de produtos diversos e outros equipamentos de transporte ampliaram seus quadros de funcionários em 0,9% cada.
Guerra fiscal é risco para empresa
Para o presidente do Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, a guerra fiscal não seria problema para São Paulo, caso o Estado oferecesse condições favoráveis para a instalação de indústrias. Nos últimos anos, grande número de empresas migrou para outras regiões do País, que oferecem isenções tributárias.
“Se São Paulo fosse competitiva, nenhuma indústria iria pensar em deixar o Estado. Mas para isso, precisa de infraestrutura, mobilidade urbana, segurança e estímulos para produzir”, completa Paulo Skaf.
Segundo o empresário, os incentivos fiscais já estão sendo questionados em muitas regiões do Brasil. “Quem compra área e instala indústria por causa disso coloca sua empresa em risco. Essa política já está sendo contestada. O cenário é completamente diferente de 20 anos atrás”, avalia.
