A Diocese de Bauru gasta cerca de R$ 50 mil por mês para manter seguranças particulares em suas paróquias. Por conta da sensação de insegurança entre os fiéis e pelo retrospecto de furtos registrados nos templos, aproximadamente 20 funcionários foram contratados para vigiar as igrejas durante o horário de funcionamento.
Responsável pelo orçamento da Diocese, o padre Marcos Pavan não soube estimar o número de templos que conta com seguranças em Bauru. Ele revela, no entanto, que a concentração maior fica nas paróquias localizadas na região central, que foram alvos frequentes de furtos no passado.
Conforme o JC divulgou com exclusividade na edição da última quarta-feira, apenas no Santuário Nossa Senhora Aparecida, localizado na praça Washington Luís, dois seguranças foram contratados há cerca de oito meses para evitar o afastamento dos devotos receosos. Dentre todos os templos, os dois funcionários cumprem a maior jornada: em sistema de revezamento, eles trabalham 12 horas por dia, com descanso de 36 horas.
Já a Catedral do Divino Espírito Santo, que fica na praça Rui Barbosa, e a Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus, situada na praça Rodrigues de Abreu, contam com um segurança, cada, durante oito horas diárias, no período da tarde e noite, em seis dias da semana. Quando o funcionário folga, outra pessoa é chamada para trabalhar em seu lugar.
Em outras paróquias – como é o caso da Santa Rita de Cássia, São Judas Tadeu e São Dimas – os funcionários garantem a tranquilidade do local apenas nos horários das missas. De todas as seis igrejas do centro expandido da cidade, apenas a São Cristóvão, localizada na avenida Nossa Senhora de Fátima, não conta com seguranças.
‘De olho’
“No Centro, existe o problema da mendicância, do uso do crack. No passado, eram frequentes os furtos de bolsas de fiéis e até de bens da igreja”, destaca o padre Marcos Pavan, que é pároco da Catedral do Divino Espírito Santo e administrador da Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus.
De acordo com ele, a situação, em dado momento, chegou a ficar tão crítica que ele orientava os fiéis a “ficarem de olho” em seus pertences durante a missa.
Mas, após a contratação de seguranças, há mais de dez anos, e com o reforço do patrulhamento policial e do sistema de segurança dos templos, os registros tiveram queda. “Muitos furtos aconteciam de madrugada, com as igrejas fechadas. Na Santa Teresinha, colocamos alarme, concertina nos muros e cadeados para reforçar as trancas das portas. Na Catedral, pusemos cerca elétrica monitorada”, detalha.
Segundo o padre, cada um dos 20 trabalhadores recebe salário médio de R$ 2,5 mil, totalizando um custo mensal de R$ 50 mil. Atualmente, a Diocese é composta por 41 paróquias em 14 municípios. Em Bauru, são 21 igrejas, mas nem todas contam com seguranças.
“Priorizamos aquelas que recebem o maior fluxo de pessoas, as que ficam na região central e as que registravam o maior número de ocorrências de furto. Foi algo pensado de maneira global pela diocese”, garante.
Usuários do albergue não teriam relação com crimes
O diretor do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) de Bauru, Uriel de Almeida, procurou o Jornal da Cidade para destacar que a sensação de insegurança e eventuais registros de crimes no entorno e dentro do Santuário Nossa Senhora Aparecida nada têm a ver com os usuários do Albergue Noturno. A unidade, que pertence ao Ceac, foi transferida para a rua Inconfidência, na Vila Antárctica, há cerca de dois anos.
“O albergue serve para reduzir a violência, ao acolher moradores de rua que perambulam pela cidade. O problema naquela região é a cracolândia (nas imediações da linha férrea)”, frisa.
Para que a retirada dos andarilhos das ruas seja efetiva, Almeida defende a implementação de novas políticas públicas de enfrentamento ao crack e à mendicância. “São necessárias outras estratégias de abordagem e convencimento para que estas pessoas possam ser submetidas a tratamento e, definitivamente, voltar à vida em sociedade”.