Regional

Região se une por Taquarituba

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

A tragédia que arrasou parte de Taquarituba (200 quilômetros de Bauru) no último domingo repercutiu em todo o País e causou a mobilização de várias pessoas em municípios vizinhos. Nos últimos dias, moradores de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) e Bauru arrecadaram donativos que deverão chegar às mãos da população afetada ainda hoje.

Mais de 330 metros quadrados de telhas, roupas, lençóis, produtos de limpeza e alimento não perecível. São diversos os produtos arrecadados nas duas cidades.

A campanha é coordenada pela funcionária pública e dentista Soraya Melleo Bonfante, 33 anos, que, inclusive, é filha do prefeito de Taquarituba. “Eu ainda não fui para lá, mas sei que a destruição foi grande. Qualquer ajuda será muito importante e bem vinda para as vítimas dessa tragédia”, ressalta Soraia.

Os donativos em questão foram arrecadados por funcionários de ambas prefeituras e junto a um grupo de dentistas de Bauru e seriam levados, na noite de ontem, pela própria voluntária até o município atingido. “A ideia é conseguir mais doações e continuar viajando aos finais de semana para ajudar Taquarituba”, reforça Soraya em tom de apelo.

Os interessados em ajudar podem ligar para a voluntária (14) 98141-9045.

‘Parou no tempo’

Seis dias após o tornado que devastou parte da região central e industrial de Taquarituba, a cidade ainda parece traumatizada com as perdas humanas e materiais. Os reflexos do tornado, que durou menos de cinco minutos, deixou duas vítimas fatais, 66 feridos, 29 casas completamente destruídas, 495 danificadas e alguns prédios públicos em ruínas.

Além disso, dados oficiais divulgados pela Prefeitura de Taquarituba apontam que das 38 empresas afetadas do Parque Industrial da cidade, 80% tiveram prejuízo total.

Proprietária de uma indústria de armazenagem existente há mais de 30 anos na cidade, Elídia Marcolino, 57 anos, se emocionou ao conversar com a reportagem do JC, que esteve no local na última segunda-feira.

“A cidade praticamente parou no tempo. A zona industrial era o centro da economia de Taquarituba. A perda é milionária. Vamos levar anos para reconstruir tudo”, lamentava a empresária ao falar sobre o futuro da empresa. “Tínhamos acabado de reformar a empresa. Agora, está tudo no chão”, completou.

Da janela da casa da família Mendes, também restou apenas o trauma da cena presenciada naquela tarde de domingo. “Minhas filhas começaram a chorar e nos abraçamos com meu marido na janela de casa rezando para que o tornado não virasse para nossa direção. Foi horrível, a nuvem era enorme e levava tudo”, conta a doméstica Silvana Mendes, 34 anos, moradora do bairro Santa Rita, por pouco não afetado pelo fenômeno.

Os estragos refletiram ainda na suspensão dos prazos processuais na cidade. Audiências que envolviam pessoas atingidas e necessitavam de apoio de policiais militares foram interrompidas pelo Fórum, que também teve a estrutura danificada. “Trabalharemos junto com a prefeitura e o Ministério Público daqui para frente no sentido de ajudar as pessoas que foram prejudicadas de alguma forma”, comentou o juiz titular da comarca Felipe Albertini Nani, na ocasião.

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