Está acontecendo em São Paulo uma reunião para a discussão de ideias que melhorem o trânsito nas Capitais e nos centros urbanos em geral. Arquitetos, urbanistas e outros especialistas nacionais e estrangeiros tentam elucidar as causas e soluções do intenso tráfego que trava e polui nossas cidades. Várias propostas interessantes estão surgindo, como mesclar os espaços de trabalho e moradia ao invés de separá-los em Centro e periferia, ou ainda o incentivo e investimento em transporte coletivo e alternativo. Temas relevantes, mas pequenos perto daquele que considero o grande vilão da história.
Dados mostram que os carros ocupam 90% do espaço das ruas e avenidas, sendo eles os principais culpados. E se isto é tão claro e óbvio, como falar de mobilidade urbana enquanto as indústrias produzem freneticamente mais automóveis? Sempre buscando vender mais que no ano anterior, bater novos recordes e conquistar novas metas. Você já se perguntou quantos carros novos entram em circulação diariamente na sua cidade? O mercado facilita a compra de carros novos em detrimento do usado, com incentivos fiscais, crédito e prazo. Nos faz acreditar que um carro é algo descartável, que em poucos anos precisa ser trocado por um zero, se não é dor de cabeça, é manutenção, enfim. Tudo para nos manter consumindo (ou sonhando em consumir).
E que farão os especialistas de tráfego ante isto? Fazer mais ruas para caber mais carro? Ruas pra onde, se os destinos serão os mesmos? Pesquisas mostram que um número considerável de pessoas passaria a usar o transporte público se a qualidade aumentasse, ou usar a bicicleta se houvessem ciclovias seguras. Tudo isso é muito válido, mas precisamos nos livrar, sobretudo, da cultura do carro novo, o símbolo do capitalismo que nos enlata, isola e sufoca diariamente.
Luiz Fernando Ramalho - estudante de Relações Públicas