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Só se aprende fazendo

Lucas Catanho
| Tempo de leitura: 6 min

O Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai) de Bauru levou uma delegação com número recorde de alunos à São Paulo Skills, considerada a maior competição de educação profissional da indústria. Os 30 estudantes competem em 24 áreas tecnológicas.

O evento teve início na última quarta-feira no Pavilhão de Exposições do Anhembi e segue hoje, dia 29. O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)-Regional Bauru convidou o JC para participar da abertura do evento, que contou com a presença do presidente do Senai-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

“Estamos fazendo o futuro com inovação, educação, investimento e empreendedorismo. Dessa competição do conhecimento vão sair alunos que vão competir no mundo e trarão medalhas para o Brasil. Essa é a contribuição concreta que a indústria dá para o futuro do País”, pontuou Skaf, durante entrevista coletiva na abertura da competição.


A disputa

A São Paulo Skills tem por objetivo promover e incentivar o ensino profissionalizante no País e proporcionar aos alunos a chance de vivenciar situações semelhantes ao dia a dia da vida profissional.

A competição inclui provas teóricas e práticas. Os alunos testam as soluções propostas e buscam descobrir a maneira mais eficaz de realizar cada processo industrial. Neste ano, o evento tem a participação de 727 alunos de 83 unidades do Senai-SP, que competem em 55 modalidades de 17 áreas tecnológicas.

Os estudantes recebem um projeto para ser interpretado. Depois, eles planejam a execução das tarefas, momento em que seus conhecimentos e habilidades são avaliados. Por fim, após se familiarizarem com os equipamentos, os competidores trabalham para entregar o produto final em um prazo máximo de 22 horas.

Os vencedores de cada ocupação profissional serão definidos por uma comissão técnica e os autores dos três melhores trabalhos de cada modalidade receberão medalhas neste domingo, dia 29, às 14h30, no auditório do Pavilhão de Exposições do Anhembi.

“A medalha é um selo de excelência profissional, pois os alunos são desafiados a superar limites. Ganhar uma delas pelo conhecimento acumulado é vibrante e os alunos vencedores são muito disputados pelo mercado”, pontua Skaf.

Os estudantes mais bem colocados na etapa paulista da competição garantem vaga para a etapa nacional, que será realizada em setembro do próximo ano, em Belo Horizonte (MG), com alunos de unidades do Senai de todo o País. A competição em nível mundial – WorldSkills –será em 2015, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na Capital.  


Premiações mundiais

O Senai de Bauru já venceu a competição em nível mundial por duas vezes, em 1995 e em 2009.

“Em 1995 a nossa escola treinou os diversos alunos e um deles passou como melhor do Estado, do Brasil e voltou como o melhor do mundo. Isso trouxe a tradição para a escola de Bauru”, lembra Ademir Redondo, diretor do Senai de Bauru.

Em 2009, outro campeão mundial saiu da escola de Bauru – Fernando José Magili Luiz, na época com 21 anos, levou o ouro em desenho mecânico em CAD no Canadá.


Primeiro campeão

Ex-aluno do Senai de Bauru, Anderson Garcia Scarlassara foi campeão mundial em 1995 na categoria tornearia em Lyon, na França. “A experiência que eu adquiri nesse evento não tem preço, eu aplico diariamente na minha empresa. Foi muito importante para o que eu estou vivendo hoje”, pontua.

Aos 10 anos, Anderson auxiliava o pai em uma empresa de usinagem em Pederneiras. Aos 13, queria ajudá-lo a operar as máquinas e ele o orientou a fazer o Senai.

Aos 14 anos, entrou para o Senai de Bauru. Na época, a empresa tinha três funcionários. Cursou um ano e meio tornearia no Senai e fez mais um ano e meio de estágio na Volvo Equipamentos, em Pederneiras.

Voltou a trabalhar com o pai mais um ano e depois desse período o Senai o convidou para treinar para a Olimpíada. Nesse tempo surgiu vaga para começar a dar aula na escola técnica de Bauru.

“Trabalhei como professor por dez anos no Senai e em 2004 voltei a trabalhar com o meu pai. A empresa tinha 13 funcionários nessa época. Em seis anos, aumentamos em dez vezes o faturamento da empresa. De 13 funcionários saltamos para 75”, conta.

Com sede em Pederneiras, a empresa já produziu peças de avião para a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) por quatro anos. Hoje produz componentes dos tratores da Volvo, além de fazer peças para indústrias alimentícias, de reposição para equipamentos de reflorestamento, entre outras.


Fala, aluno!

João Ricardo Jacinto Rodrigues, 16 anos, aluno do Senai de Bauru que concorre em panificação – “Na minha prova vou fazer uma escultura à base de pão. Desde pequeno sempre gostei de cozinhar. Já fiz cursos de salgadeiro e de panificação no Senai e estou concluindo o curso de confeiteiro agora. Quando eu terminar esse, quero fazer faculdade de gastronomia. O Senai abre todas as portas na minha área. Para meu currículo a Olimpíada do Conhecimento é algo ótimo e que dá visibilidade. Pelo Senai, será certo eu conseguir trabalho”.

Denisar José Rodrigues Alecrim, 20 anos, ex-aluno do Senai de Bauru que concorre em instalação e manutenção de redes – “Deixei meu emprego no setor de TI de um escritório de advocacia para voltar à Olimpíada do Conhecimento. Várias empresas já estão me apresentando propostas de emprego aqui, compensa muito. Estou me preparando há quatro meses. Vou pro Senai às 7h e fico até as 22h, tem dia que até ultrapassa o horário para treinar para as provas. Fiz cursos de administrador de servidores, manutenção de micro e informática básica no Senai”.


Inova Senai traz 80 projetos

Paralelamente à São Paulo Skills está sendo realizado o Inova Senai, evento tecnológico que apresenta 80 projetos de aplicação industrial. O foco é revelar novos talentos para diversos setores da indústria e estimular o empreendedorismo, a inovação e o desenvolvimento de tecnologias. 

Bebida energética com propriedades de curar a ressaca do fim de semana, petisco de carne bovina com sabor de churrasco, flan de quinoa, galocha portátil e jaqueta com compartimento embutido para carregar skate são algumas das invenções apresentadas.

Para cada categoria serão escolhidos os três melhores trabalhos, que receberão medalha e certificado de participação. A escola ganhará um troféu para cada primeiro lugar obtido.

Bauru

Bauru está sendo representado por um projeto. O estepe automatizado com sistema antifurto foi criado por Hélio Nakata, professor de mecânica em autos do Senai de Bauru, e pelo aluno Bruno Mosquim.

A invenção foi criada em 2012 a partir de uma experiência vivida pelo docente – ter tido furtado o estepe que ficava do lado externo do carro.

A invenção é um estepe retrátil, controlado pela chave e integrado ao alarme. O pneu, portanto, é tratado como se fosse uma porta ou um vidro – se for violado, o alarme dispara.

“Como quase 80% dos carros têm acionamento eletroeletrônico, o que custa ter proteção também do estepe?”, questiona o professor. O custo para desenvolver o projeto ficou em R$ 400,00, mas o valor seria bem menor se fosse adotado pela indústria automobilística.

Segundo o aluno Bruno Mosquim, não existe nada no mercado parecido. “Não havia fontes para pesquisarmos, tivemos que criar do zero. A maioria dos estepes vem fora do carro hoje. Pesquisamos que o número de furtos era alto dos estepes que estavam fora e a partir daí procuramos a solução”, disse.

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