Tribuna do Leitor

Decepção com o HE


| Tempo de leitura: 4 min

A cada dia que passa mais decepcionada fico com os seres que se dizem humanos, que trabalham num local (hospital público) onde as pessoas fragilizadas, por seu estado de saúde, recorrem para fins de consulta ou um exame agendado há meses. Tendo o mesmo retorno ao clínico especialista no próximo mês de outubro.

Fiquei perplexa no dia 24 passado, quando fui acompanhar um paciente fragilizado por doenças tais, como diabetes, hipertensão, com uma hepatopatia grave, em jejum absoluto para a coleta dos exames solicitados, pois a mesma causa um transtorno mental acentuado graças às toxinas que afetam o cérebro, com dificuldade em deambular (caminhar), ter que percorrer uma rampa de 60 metros de comprimento com aclive e declive generosos.

Fui orientada de antemão que os exames seriam colhidos até 11h. Quando cheguei ao Hospital Estadual (HE), por volta das 8h10, me dirigi ao local onde rotineiramente as pessoas se dirigem ou se dirigiam anteriormente, pois o local foi trocado após a greve e os pacientes não foram comunicados. Na portaria me disseram para que eu seguisse até a segunda porta que dá acesso a tal rampa. No final, me defronto com outra portaria com uma guarda de segurança e a mesma me disse que os exames eram colhidos exatamente das 6h às 8h, cúmulo do absurdo o horário de atendimento num laboratório hospitalar onde a troca de plantão é às 7h e um horário tão exíguo para coleta, mas não é assunto meu e sim de quem dirige o tal ambiente hospitalar.

Dirigi-me, juntamente com o enfermo, até o citado local, onde centenas de pessoas aguardavam por exames, muitos pobres coitados em sua humildade calados, sem saber a quem ou onde deveriam se dirigir, pois no local onde alguém deveria estar para dar informações não havia ninguém. Andei pelos corredores até onde encontrei alguém, a quem questionei onde encontrar a funcionária ou o funcionário que deveria estar naquela mesa para informação. A mesma me disse que aguardasse. Fui questionada por pacientes que ali aguardavam sobre onde era o local aonde teriam que se dirigir para exames, respondi que não sabia, pois de fato não sabia mesmo... Cansei de esperar, voltei na guarda que me orientou no início e subi nas tamancas, pois não consigo calar quando vejo absurdos acontecerem. Além do mais, devido ao meus setenta e mais alguns anos...

No dia 25, ao chegar no portão de acesso ao dito Hospital Estadual, perguntei ao guarda se tinha um outro meio de acesso pra que eu pudesse levar o paciente com mais conforto no carro até o dito laboratório, o mesmo me informou que a única via de acesso era através da rampa. Lá foi a esposa do paciente com a cadeira de rodas no aclive de 60 metros, correndo o risco de um acidente, pois a mesma é idosa e tem dificuldade em conter a cadeira de rodas.

Nesse interim, fui procurar me informar se existe outro meio de acesso até o laboratório, questionei guarda, fui até o setor de reabilitação onde estavam três moças batendo papo, fiz o mesmo questionamento e me informaram que só mesmo pela rampa de acesso. Questionei a um funcionário, o mesmo me disse que existia sim um elevador que levaria até o subsolo.

Em vista de tal afirmação, me dirigi até o setor SAU (serviço de atendimento ao usuário), onde eu faria uma reclamação por escrito. Por incrível que pareça, não encontrei ninguém. No saguão, as luzes estavam apagadas.

De volta ao espaço em que batia um solzinho, pois estava eu tremendo de frio, embora agasalhada, me deparei com uma guarda de segurança e perguntei a ela sobre o fato de tal elevador ou outra via de acesso. Muito solícita, a mesma disse: ?estou aqui há poucos dias, vou procurar saber e volto com a resposta para a senhora?. Logo mais esse anjo bom voltou e me disse que eu poderia acessar o tal laboratório através da portaria dos fundos. (Anjos existem, em forma humana).

Agora pasmem os senhores e senhoras, num local onde tanta gente trabalha, poucas pessoas se interessam pelo bem-estar de um paciente ou um ser humano necessitado de cuidados. Quando entrei no carro pra ir até o laboratório buscar o paciente, me deparo com eles retornando pela dita rampa, minha cunhada estava ofegante, com as mãos sangrando pelo esforço, e ao desleixo da cadeira sem aquele suporte protetor, não encontrou no meio de tantos seguranças um que se dignasse ajudar naquele aclive de 60 metros, mesmo vendo a mesma ter melhor idade. Obrigado aos abnegados diretores, funcionários (as) do Hospital Estadual, que não têm o mínimo de respeito com os pacientes quando mudam o laboratório. A segurança que se dignou a me informar, no meio de tantos fardados, você foi a única que se dignou a ajudar.

Shirlei Rodrigues Ceseti

Comentários

Comentários