Regional

Peritos analisam veículos e armas

Lilian Grasiela com Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Veículos das Polícias Civil, Federal e Militar durante buscas onde foi localizado o avião

Ontem, peritos da Delegacia da Polícia Federal (DPF) de Marília realizaram perícia nos veículos e armas apreendidos durante operação da PF em Bocaina (69 quilômetros de Bauru), ocorrida no último dia 25, que resultou na morte de um agente federal de Bauru. Ainda não há prazo para a divulgação dos laudos.

“Esse laudo tem prioridade em relação aos demais”, explica o delegado Ênio Bianospino. Além do carro apreendido com a quadrilha, um Jetta, uma viatura da PF alvejada por disparos feitos pelos criminosos também foi periciada.

A polícia aguarda ainda laudos do local do crime e do exame necroscópico do agente Fábio Ricardo Paiva Luciano, de 38 anos, morto no confronto. “Ele (exame) foi feito no local, no dia, por médicos legistas de Bauru”, diz.

Já a perícia nas armas, segundo o delegado, ajudará a comprovar a materialidade do crime. “Nós temos que comprovar o calibre deles, que é de uso restrito, através do laudo pericial, e a sua funcionalidade (da arma), que ela realmente está apta a produzir efeito”, declara.

Em entrevista à TV Record, Bianospino revelou que a perícia feita no avião não apontou vestígios de droga. De acordo com ele, uma das hipóteses é de que os criminosos que estavam em terra tenham conseguido fugir de carro levando o entorpecente.


Reviravolta

Conforme divulgado pelo JC, na sexta-feira, o juiz substituto Edevaldo de Medeiros determinou a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva de dois dos cinco presos na operação, que estariam aguardando a chegada da droga. Segundo ele, havia indícios nos autos de que os dois “resistiram à prisão, ou participaram da resistência, causando inclusive a morte de um jovem policial federal”.

O magistrado, porém, entendeu que não havia provas da materialidade do crime de organização criminosa, apenas a demonstração de que “os réus se uniram, no dia dos fatos, para praticar, aparentemente, um único crime de tráfico de entorpecentes, sendo, os demais, consequência dele. Digo ‘aparentemente’, porque, com incêndio do avião, a possível prova da materialidade do tráfico ficou prejudicada”, pontuou.

Na decisão, o juiz deferiu a liberdade provisória ao piloto e ao casal que tentou resgatar um dos presos e determinou a expedição de alvará de soltura para os três. Em relação ao primeiro, ele alegou ausência de materialidade e indícios de autoria. No caso do casal, segundo Medeiros, ficou configurado apenas o favorecimento pessoal, crime que, pela pena máxima, não permitiria concessão da prisão preventiva.

No sábado, o juiz do plantão judiciário, Marcelo Zandavali reformou a decisão com base em recurso em sentido estrito interposto pelo procurador da República em Jaú Marcos Salati. Ele determinou a manutenção da prisão do piloto, dos dois envolvidos no confronto com a PF e do homem que ajudou a resgatar um dos presos. Para a mulher, ele concedeu liberdade provisória e aplicou medida cautelar que a obriga a comparecer a cada dois meses em juízo.

Na decisão, o juiz destacou a altíssima gravidade dos ilícitos e afirmou que o modus operandi do grupo indica “tratar-se de criminalidade organizada (uso de aeronave, uso de inúmeros veículos para transporte do produto do crime, uso de binóculos para visão noturna, uso de coletes balísticos, uso de pistolas Glock e de munição de inúmeros calibres)”.

Para o magistrado, as provas mostraram que o grupo se dedica, “ao que tudo faz parecer, ao tráfico transnacional de drogas” e, para tanto, “se vale de armamento pesado, armamento de guerra”, além de fazer “uso de força letal de modo profissional”, o que resultou na morte do agente federal.


Relembre o caso

O monomotor Cessna, modelo 210, caiu no dia 25, por volta das 21h30, às margens da SP-255, que liga Jaú a Araraquara, na altura do quilômetro 136. Segundo a PF, ele estava carregado com cerca de 500 quilos de droga, provavelmente pasta base de cocaína, que acabaram se incendiando.

A quadrilha que aguardava a chegada do entorpecente trocou tiros com policiais federais que participavam da operação. O agente Fábio Ricardo Paiva Luciano, 38 anos, lotado na PF de Bauru, morreu com um tiro no peito. Após a queda do avião, a PF prendeu três homens e uma mulher que fariam parte do grupo criminoso, entre eles o piloto da aeronave, que estava ferido.

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