Tribuna do Leitor

Conta-gotas


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Antônio Joaquim de Moura Andrade (o Rei do Gado) fundou Andradina e Nova Andradina, esta no Mato Grosso do Sul.

Próspero proprietário, tinha grande carinho por sua fazenda Guanabara, em Andradina. Sua família vinha sempre à fazenda, inclusive seu filho Auro Soares de Moura Andrade. Político, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, senador, presidente do Congresso Nacional. Em 1964 era embaixador do Brasil na Espanha. Com o advento da ditadura, em 1964, perde o cargo, retornando ao Brasil.

Revoltado, expressa-se de forma contundente contra os militares:

- São guerreiros portadores de armas virgens de todas as batalhas, e esquecem-se de que japona não é toga e o que está por dentro nem sempre é juiz!" Infere-se ao ler seu pronunciamento que faz uma crítica acerba aos militares (que usam japona) e um elogio implícito aos magistrados, que usam toga.

Gostaria que o grande tribuno estivesse ainda entre nós para comentar o andamento do mensalão que passeia ? vagaroso ? pela mesa do judiciário. Sabe-se: são 11 ministros. O ex-presidente foi o responsável pela indicação de quatro ao STF; um fora indicado por Fernando Collor; um indicado por Fernando Henrique e outro por José Sarney. Este último, responsável pelo desempate dos "embargos infringentes". Valeu-se da oportunidade para discursar por cerca de duas horas antes de proferir seu voto que não causou surpresa a ninguém...

Todos sabem: nenhum acusado (se houver punição) irá passar a noite na cadeia. Enfim, o mensalão teve muito a ver com propinas, desvio de dinheiro, enriquecimento ilícito. Então, por que prender os responsáveis? Não seria melhor fazê-los devolver o dinheiro?! Um ex-governador foi condenado a devolver vultosas quantias desviadas à época em que fora prefeito de São Paulo. Está na cadeia? Não! É deputado federal.

E o povo (pobre povo) diz: "Espero justiça. Há de se fazer justiça". Isso me lembra certa ocasião em que era membro do júri, em Andradina. O promotor, dedo em riste, dirigiu-se aos jurados: "Espero justiça! Espero que os senhores façam justiça! Justiça com letra maiúscula!" Nisso concede um aparte à defesa que replica: "Justiça, com letra maiúscula, só se for no início do parágrafo. Justiça é substantivo comum. E abstrato!" Não sou jurista, mas avento uma proposta: por que os Ministros do Supremo Tribunal Federal não são indicados pela Ordem dos Advogados do Brasil? Seria um ato destituído de qualquer influência política. Ou estou errado?

Álvaro Baptista Pontes

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