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O Senhor dos Anéis

Ismar Pereira
| Tempo de leitura: 2 min

Jason estava muito preocupado. O que havia acontecido era grave. Ele sabia que Elisa o perdoaria. Mas poderia demorar anos. Ou décadas. Além de tudo, ficaria a mácula ? aquela história de curar a ferida e permanecer a cicatriz. Teve uma ideia depois de noites mal dormidas e dias em que a mão esquerda jamais ficou exposta... Por que a mão esquerda? Porque ali residia o problema: nela estava faltando a aliança de casamento. E naqueles tempos (década de 1940), perder a aliança era imperdoável. O seu uso era imprescindível. A sua perda seria interpretada como falta de zelo, com a aliança e até com o próprio casamento.

Jason não teve dúvidas e pôs em prática a sua ideia: pediu a aliança de Elisa para levá-la à cidade para um polimento. A esposa afirmou que isso não era necessário. Jason foi firme: retrucou que o trabalho pesado na sua fazenda Palmital judiara muito da aliança. Elisa finalmente concordou.

Na semana seguinte Jason voltou da cidade com duas alianças reluzentes. Uma por ser novinha em folha, outra por ter sido polida caprichosamente, além de ter servido de modelo para a fabricação da cópia. Elisa gostou do resultado e até elogiou a ideia do marido.

Entretanto, parece que o destino tem prazer em aprontar, em preparar surpresas. Num final de semana, Elisa pediu a um empregado que lhe trouxesse, para o almoço de domingo, um dos frangos criados na fazenda. A escolha seria aleatória. Ao abrir a moela da ave, aconteceu algo absolutamente improvável: dentro dela havia uma aliança. Com um nome gravado: Elisa. E com a data do casamento. Desnorteada, imaginava um milhão de coisas. Todas de ruins a péssimas. Aos poucos foi se refazendo do choque e conseguindo raciocinar. A sua maneira de pensar sofreu uma transformação radical. Aquela história das alianças não fora apenas um meio que Jason encontrara para evitar que ela ficasse magoada. Mais que isso: fora uma verdadeira prova de amor! Quando Jason chegou em casa, à tardinha, Elisa mostrou-lhe a aliança e explicou-lhe como ela fora encontrada. Não menos surpreso do que ela, ele "confessou o crime" provocando boas gargalhadas. E viveram felizes para sempre! Em tempo: esta é (mais) uma história verdadeira e os nomes não são fictícios!

O autor, Ismar Pereira, é advogado aposentado e colaborador de "Opinião".

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