Polícia

?Golpe do atropelamento? faz motorista perder R$ 2,5 mil

Tisa Moraes com Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

Um susto seguido de outro e um prejuízo de R$ 2,5 mil. Um carpinteiro de 38 anos foi alvo de um assalto, em Bauru, em que criminosos utilizaram uma tática inédita e inesperada. A vítima dirigia uma caminhonete e foi rendida após uma mulher se jogar em frente ao veículo e fingir ter sido atropelada.

Assustado com a possibilidade de ter ferido a pedestre, ele desceu do carro e foi surpreendido novamente, desta vez por dois homens que usavam blusas com capuz. Um deles segurava um pedaço de pau e o outro fez menção de estar armado.

A mulher também teria ameaçado jogar ácido no rosto do motorista, caso ele olhasse para ela. A vítima, abordada de maneira inesperada, não teve reação. Um dos criminosos entrou na caminhonete e roubou R$ 1 mil em dinheiro, que o carpinteiro havia acabado de receber por um serviço realizado, além de dois aparelhos celulares avaliados em R$ 1,5 mil.

O crime ocorreu por volta das 21h45 de anteontem, na avenida Castelo Branco, sentido bairro-Centro. De acordo com o carpinteiro, que terá a identidade preservada pelo JC, a mulher teria saído repentinamente de um ponto de ônibus e tentado atravessar a via.

Ele conseguiu frear a caminhonete rapidamente, mas, mesmo assim, a mulher caiu no chão. “Ela começou a gritar e fiquei preocupado. Quando desci do carro, um homem saiu de trás da placa de propaganda do ponto de ônibus e outro, que estava do outro lado da avenida, também veio na minha direção”, relembra.

Enquanto um dos criminosos o ameaçava com um pedaço de pau, o outro entrou no veículo para roubar seus pertences. Na pressa de fugir, um deles ainda deixou cair R$ 200,00 no assoalho da caminhonete.


Sem planejamento

Os três fugiram em um veículo cujas características não foram notadas pelo carpinteiro, já que chovia no momento da ação. A mulher era jovem, magra, parda e tinha cabelos cacheados. A vítima também não conseguiu descrever o tipo físico dos outros dois comparsas, que usavam blusas com capuz.

O delegado Kleber Granja, da Central de Polícia Judiciária (CPJ), acredita que o ‘golpe do atropelamento’ não seja uma nova modalidade criminosa que poderá se difundir em Bauru.

Para ele, o crime, aparentemente, possui baixo nível de elaboração e planejamento e pode ter sido praticado, inclusive, por usuários de entorpecentes. “De qualquer maneira, é algo que nos preocupa. Nos próximos dias, a vítima será intimada para tentar reconhecer suspeitos em nosso banco de imagens”, adianta.

De acordo com o delegado, o caso pode ter relação com o assalto registrado no dia 25 de setembro no cruzamento da avenida Nuno de Assis com a rua Inconfidência. Na ocasião, uma mulher de características semelhantes também foi usada como “isca” para atrair a vítima.

Passando-se por uma garota de programa, ela oferecia seus serviços no local, quando um homem parou e foi rendido por outro criminoso que fez menção de estar armado.

“Pelo que consta, um outro indivíduo teria ficado à distância e também estaria envolvido na ação. Já estávamos investigando este crime e, agora, iremos verificar se há correlação com o roubo de ontem (anteontem)”, destaca.


‘Nunca vi um negócio desses’

O carpinteiro conta que foi tomado por um sentimento de incredulidade diante da ação tão ousada e ‘criativa’ dos criminosos. 

“Eu nunca vi um negócio desses. Conversei com um amigo de São Paulo e ele disse que nem lá esse tipo de coisa acontece. A gente se sente impotente, dá muita raiva”, comenta.

O carpinteiro conta que já foi vítima de tentativa de assalto no trânsito, mas de uma maneira mais “tradicional”, quando dois homens em uma moto o abordaram, sem conseguir efetivar o crime.

“Essa foi a primeira vez que fui assaltado, de fato, e espero que seja a última. É triste. A gente trabalha e vêm os caras e levam tudo”, lamenta.

 

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