Interrompendo uma sequência de cinco quedas, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira fechou nesta em alta de 1,61%, a 53.179 pontos, diante da leitura dos investidores de que a paralisação parcial do governo americano deve ser temporária.
"Os ativos caem no boato e sobem no fato. É uma máxima do mercado financeiro que fez valer hoje. A queda das Bolsas ontem, antecipando a paralisação do governo americano hoje, abriu brecha para o avanço visto hoje", diz Filipe Machado, analista da Geral Investimentos. "Nas demais vezes em que houve uma paralisação como essa, a duração máxima foi de 21 dias. Logo, o mercado deve estar acreditando que o movimento não se estenderá muito", acrescenta.
Segundo Machado, o mesmo ocorreu com os papéis da OGX, que caíram 25% ontem (30) e, hoje (1), fecharam em alta de 14,29%, a R$ 0,24, mesmo após a companhia ter informado que não pagará juros no valor de US$ 45 milhões como remuneração de títulos emitidos no exterior que venceriam hoje.
A decisão da empresa, que tem pouco dinheiro disponível e lida com um fracasso em sua campanha exploratória, pode ser o primeiro passo do que pode vir a ser o maior calote da história por uma empresa latino-americana. O papel da petroleira iniciou o dia em queda, mas, após atingir o nível mínimo de R$ 0,19, passou a subir.
Com exceção da PDG, as ações das construtoras também subiram depois de o governo brasileiro ter elevado o limite do valor do imóvel que pode ser adquirido com o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), atendendo a pedidos do setor de construção e das instituições financeiras.
As ações da Gafisa, por exemplo, subiram 3,63%, a R$ 3,71, enquanto os papéis da Brookfield tiveram ganho de 2,48%, a R$ 1,65.
"Esperamos que a nova faixa de preço tenha um impacto ligeiramente positivo na demanda habitacional, já que as condições de financiamento vão melhorar para compradores", afirmaram os analistas Eduardo Silveira e Gabriel de Gaetano, do Banco Espirito Santo, em relatório.
Câmbio
No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em queda de 0,22% em relação ao real, cotado em R$ 2,221 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 0,58%, a R$ 2,229.
O avanço da moeda ocorreu apesar de expectativas de que a paralisação do governo dos Estados Unidos obrigue o banco central americano a adiar a retirada de estímulos para compensar o impacto de uma queda súbita dos gastos públicos.
Isso garante que a oferta de dólares em mercados como os emergentes não será prejudicada, pelo menos no curto prazo, o que deveria estimular a baixa da moeda americana.
"Estas apostas chegaram a derrubar o dólar abaixo do importante patamar de R$ 2,20 hoje", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. "A tendência, no entanto, continua de alta, pois o cenário negativo para a economia brasileira não mudou. Continuamos com a situação fiscal ruim, inflação elevada e crescimento fraco, nada atrativo aos estrangeiros", acrescenta.
Arquivo/gência Brasil |
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Ibovespa fechou em alta de 1,61%, e foi a 53.179 pontos |
O Banco Central realizou pela manhã um leilão de swap cambial tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. A autoridade vendeu, ao todo, 10 mil contratos com vencimento em 3 fevereiro de 2014, por US$ 497,8 milhões.
A operação estava prevista pelo plano da autoridade para conter a escalada do dólar. O programa do BC -que começou a valer em 23 de agosto - prevê a realização de leilões de swap cambial tradicionais de segunda a quinta, com oferta de US$ 500 milhões em contratos por dia, até dezembro.
Às sextas-feiras, o BC oferecerá US$ 1 bilhão por meio de linhas de crédito em dólar com compromisso de recompra - mecanismo que pode conter as cotações sem comprometer as reservas do País.
