Política

Leitos públicos surgem após liberação de recursos para internações privadas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Oito dias depois da decisão judicial que bloqueou R$ 200 mil de contas do Estado de São Paulo para garantir internações na rede privada a pacientes que esperam por mais de 48 horas a liberação de leitos hospitalares da rede pública, o dinheiro foi disponibilizado em conta administrada pelo Ministério Público no início da tarde de terça-feira. Horas depois, os cinco pacientes que se enquadravam no critério tiveram vagas liberadas pelo Hospital de Base (HB) ou pelo Hospital Estadual (HE).

Quioshi Goto

Leitos públicos surgem após liberação de recursos para internações privadas

Caso os leitos não fossem autorizados, os pacientes já teriam sido encaminhados ainda ontem para a Beneficência Portuguesa de Bauru.

De acordo com o diretor de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Sabbag, um deles estava na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota. Os demais, no Pronto-Socorro Central (PSC).

Até a tarde desta terça, um dos pacientes esperava por um leito desde a última quinta-feira. Outro estava isolado no PSC desde sexta, apresentava quadro de meningite e dependia de vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Questionada sobre a velocidade para a liberação das vagas após a disponibilização do dinheiro, a Secretaria do Estado de Saúde alega que os hospitais da região têm realizado uma força-tarefa para otimização de protocolos de atendimento, resultando em um maior dinamismo ao acesso ao serviço à população local.

“Vale ressaltar que a reorganização de fluxos operacionais já estava prevista e vem acontecendo de forma gradual e indistinta ao processo jurídico em andamento”, diz nota da assessoria de imprensa.

A Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que gerencia o Base e o Estadual, também informa que seus esforços para contribuir na melhoria do serviço, somados aos do Departamento regional de Saúde (DRS-6) também independem de questões judiciais. A entidade alega que tem otimizado os serviços a partir da reorganização de fluxos operacionais.

Mais nove

Apesar disso, até o início da noite de ontem, outros nove pacientes aguardavam leitos nas unidades municipais de Urgência e Emergência. Caso não consigam vagas até amanhã, poderão ser internados na rede particular com os recursos do Estado disponibilizados pelo Poder Judiciário.

O número, no entanto, é muito menor do que os mais de 60 que se encontravam nesta situação no início de agosto, cenário que motivou o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) a decretar estado de calamidade pública na assistência hospitalar.

Na ocasião, a ideia do governo municipal era justamente contratar leitos particulares para garantir o atendimento pacientes que ocupavam os corredores do Pronto-Socorro Central. A prefeitura, porém, teve indeferido, na Justiça Federal, o pedido de liminar para receber recursos do Fundo Estadual de Saúde.


Recursos foram bloqueados por descumprimento de uma liminar

O bloqueio de R$ 200 mil disponibilizados ontem foi possível por meio de decisão da juíza Regina Aparecida Caro Gonçalves, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, acatando parcialmente à solicitação do Ministério Público (MP).

O promotor da Cidadania, Fernando Masseli Helene, apontou descumprimento judicial da liminar concedida no dia 29 de agosto pela própria juíza, que proibia o Estado, município e Famesp de negarem internações.

Há duas semanas, Masseli solicitou o bloqueio de R$ 2 milhões para custear a internação de pacientes que não conseguissem vagas em um dos hospitais públicos de Bauru em leitos privados, ao longo dos próximos seis meses.

Em seu despacho, a juíza avaliou que, como cada paciente demanda de tratamento específico, não há como, de antemão, saber o valor que será dispendido com a internação de cada um, mas classificou como exagerado o valor solicitado pelo promotor.

Especialistas em Saúde entendem, porém, que o valor de R$ 200 mil é irrisório. O promotor, por sua vez, avalia que a conquista é importante, simbólica e terá caráter pedagógico.

“Quando esse dinheiro estiver prestes a acabar, nós pediremos mais. A solução definitiva para esse problema só vai chegar quando mais leitos hospitalares forem disponibilizados na cidade”, prevê Fernando Helene.

Os pacientes que eventualmente forem internados na rede hospitalar serão conduzidos à Beneficência Portuguesa. Na semana passada, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, explicou que, no levantamento feito pelo município à época do decreto de calamidade pública, o hospital foi o que disponibilizou a maior oferta de leitos: 10 de enfermaria e dois para UTI.

O custo estimado para essas internações é de R$ 1.750,00 por dia nos leitos de UTI e R$ 600,00 nos comuns.

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