João Rosan |
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Jorge Morales: “A falta de infraestrutura cerceia meu direito constitucional de ir e vir” |
A chuva fraca que atingiu Bauru no início desta semana já foi suficiente para gerar transtornos a moradores da cidade. Em bairros sem pavimentação, como o Parque Jaraguá, Jardim Eldorado 2, Santa Edwirges, Parque Viaduto e Vila Santista, o surgimento de erosões e o excesso de lama dificultaram o trânsito de veículos e pessoas.
Na Vila Ipiranga, embora o estrago não tenha sido grande, o desnível provocado pela chuva nas ruas de terra já foi suficiente para impedir a passagem do aposentado Jorge Munhoz Morales, 57 anos, que depende de cadeira de rodas para se locomover. Por conta das irregularidades na quadra 2 da rua Vidal Ignácio Rodrigues, onde mora, ele não conseguirá visitar o filho, que está hospitalizado após sofrer um acidente de motocicleta.
“A falta de infraestrutura cerceia meu direito constitucional de ir e vir. O prefeito prometeu asfalto e, até agora, nada. Ser carregado por alguém seria humilhante, então prefiro ficar dentro de casa”, lamenta.
Morales teve paralisia infantil e, há três anos, deixou as muletas para se locomover em uma cadeira de rodas motorizada. Mas mesmo quem não possui limitações físicas sofre para transitar nos bairros periféricos.
Conforme reconhece o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, a leve chuva de 9,7 milímetros acumulada entre anteontem e ontem foi suficiente para danificar os serviços de terraplanagem realizados nos bairros, que, agora, terão de ser refeitos.
No Jardim Eldorado 2, por exemplo, uma erosão surgiu na quadra 1 da rua Pedro Giraldi no início desta semana. Em outras vias, a situação se repete e a recuperação – mesmo que paliativa – não deve começar ao menos até a próxima sexta-feira, porque deve continuar chovendo.
Solução efetiva
Mas, para solucionar o problema de maneira efetiva em alguns bairros e também na avenida Nações Unidas – o ponto mais crítico de enchentes em toda a cidade –, o secretário afirma que seria necessário obter cerca de R$ 100 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Ministério das Cidades. Não há previsão, no entanto, para que os recursos sejam obtidos.
Segundo Rodrigues, o dinheiro seria suficiente para o redimensionamento de todo o sistema de galerias da Nações Unidas, além de proporcionar a construção de mais cinco barragens nas cabeceiras de córregos da cidade. Foi com recursos do PAC que a prefeitura construiu a barragem do córrego Água do Sobrado, na região da Quinta Ranieri, que está com as obras atrasadas em um ano.
O dispositivo já funciona para conter a água da chuva naquela área, mas será oficialmente entregue no final de 2013, com a conclusão do talude e limpeza do piscinão.
“Além dessa, precisaríamos de outras cinco barragens para conter a água da chuva nas cabeceiras dos córregos, para não direcionar tudo e sobrecarregar o rio Bauru”, comenta o secretário.
Ele explica que seriam necessárias duas barragens no córrego da Grama, na região da Vila Nova Esperança, outras duas no córrego da Ressaca, na zona sul, e uma no córrego da Forquilha. “Essas bacias minimizariam os problemas na Nações, na Nuno e em vários bairros da cidade”, frisa.
Obras de melhoria
Segundo o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, melhorias estão sendo implementadas em vários pontos da cidade para minimizar os efeitos das chuvas durante o próximo verão. Uma delas é a implantação de 300 metros de galerias no Jardim Marambá, que foram danificadas pelas chuvas do verão passado.
Na altura do cruzamento entre as avenidas Pinheiro Machado e Gabriel Rabello de Andrade, a tubulação subterrânea para escoamento de água foi substituída em quase duas quadras, para reduzir os riscos de alagamentos. “Também estamos asfaltando todas as ruas do entorno, onde a chuva trazia areia”. Na quadra 1 da avenida Alfredo Maia, uma nova tubulação será instalada para aumentar a capacidade de vazão de água da chuva. A obra deve ser concluída até o final deste mês.
Previsão
Ao menos até sexta-feira, a previsão é de chuva em Bauru, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Por conta de um sistema de baixa pressão que estacionou sobre o Estado, o tempo fica instável e deve chover principalmente no período da tarde. O padrão de temperaturas amenas, com breves momentos de sol, permanece até o final da semana, com possibilidade de ocorrer tempestades especialmente na sexta-feira. Os termômetros devem oscilar entre 17 e 28 graus.
No sábado e domingo, quando a chuva deve dar uma trégua, há previsão de ligeira queda de temperatura, com mínima de 12 e máxima de 24 graus.
